O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 29/07/2020

O conceito de “instituição zumbi”, definido pelo sociólogo Zygmunt Bauman, explica que certas instituições políticas não exercem mais suas funções como deveriam, no entanto, mantém suas formas, sendo comparadas a mortos vivos. No Brasil, é indubitável que o combate ao comércio ilegal de animais silvestres ainda não é eficiente devido à constante exploração econômica de florestas e à negligência governamental em garantir a realização das leis que protegem os animais, o que logo remete-se ao conceito referido anteriormente. Destarte, é fundamental analisar os fatores que fazem desta problemática uma realidade contemporânea.

Deve-se pontuar, de início, os males da exploração econômica de florestas. No decorrer do século XVI, com a chegada oficial da colonização portuguesa ao Brasil, as florestas foram vistas como fonte principal para a política do mercantilismo, refletindo hoje na realidade. Com isso, as queimadas que destroem tais aglomerados, principalmente a Amazônia, e chamam atenção mundial são apenas a face mais visível da exploração, pois por trás da derrubada da mata estão fortes interesses econômicos que envolvem o tráfico de animais silvestres, ocasionando não somente a extinção dos mesmos, mas perda da biodiversidade, fundamental para a autorregulação dos ecossistemas e para uma sociedade mais bem desenvolvida.

Por conseguinte, vale ressaltar, ainda, a negligência governamental em garantir a realização das leis que protegem os animais. De acordo com a filosofia política de Aristóteles, o governante da nação deve priorizar o bem comum, em detrimento de si próprio, uma vez que está inserido em um meio social, entretanto, nota-se que ao descuidar das leis que protegem os animais - e automaticamente da fauna e a flora brasileira -, as medidas legislativas não são devidamente efetivadas, contribuindo pra a ineficácia do combate ao comércio ilegal dos mesmos, considerando tais crimes de menor potencial ofensivo e modificando as penas, indicando que os animais tem um valor inferior aos seres humanos.

Portanto, é indispensável efetivar medidas que desenvolvam o combate ao comércio ilegal de animais silvestres. Com isso, a Polícia Militar Ambiental deve direcionar investimentos em técnicas para qualificar os profissionais policiais e programas de monitoramento e denúncia, como, por exemplo, softwares de big data que possibilitem a real fiscalização desse problema. Somando-se, o Poder Executivo deve garantir a permanente realização das Leis, e assim, o Brasil será um país evoluído.