O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 01/08/2020

A índia Tainá, personagem da dramaturgia brasileira, é um símbolo da luta pela proteção dos animais silvestres na Amazônia, os quais são ameaçados pelo comércio ilegal. Mesmo com a pouca idade, o espírito guerreiro de Tainá, nos filmes, consegue frear os traficantes e promover o equilíbrio no meio ambiente. Todavia, fora da ficção, o cenário de tráfico de animais selvagens ainda é presente e, muitas vezes, é motivado pela negligência governamental e interesses capitalistas. Desse modo, diante de tamanho problema, urge que tais empecilhos sejam rapidamente contornados para combater esse crime.

Em primeiro lugar, a Lei de Crimes Ambientais de 1998 - conjunto de normas que visa punir toda e qualquer agressão à natureza, bem como garantir o equilíbrio ecológico - atribui ao Estado o dever de proteger a fauna silvestre. Entretanto, na prática, essa prerrogativa não é plenamente vista, uma vez que

devido ao pouco investimento na área, as fiscalizações são escassas, além de existir a flexibilização das multas tanto para o comprador, quanto para o vendedor, o que contribui para a continuidade do crime. Além disso, é importante destacar que a falta de campanhas a cerca da conscientização e estímulos à denúncia dessa infração é outro fator que facilita o tráfico, pois, em grande parte dos casos, as pessoas não conhecem a espécie como silvestre e, portanto, não fazem a denúncia.

Ademais, conforme mencionou o geógrafo Milton Santos, a globalização mata a noção de solidariedade. Tal pensamento evidencia um desafio na atual sociedade capitalista, em que os indivíduos colocam o dinheiro como principal objetivo em suas vidas e, assim, sem pensar nos riscos, como perda da biodiversidade brasileira e mundial, utilizam o contrabando de animais silvestres para a obtenção de lucro. A exemplo disso, têm-se o desaparecimento da arara-azul-pequena, além do risco de extinção de outras espécies, como a onça-pintada e o tamanduá-bandeira. Outrossim, vale salientar que o tráfico de espécies nativas de outros países para o Brasil, por não possuírem predador natural, podem gerar pragas e desequilíbrio biológico com outros animais do país.

Em vista disso, a fim de combater o comércio ilegal de animais silvestres, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente, por meio da destinação de mais recursos para a contratação de policiais e agentes florestais que fiscalizem com maior frequência as reservas naturais, sobretudo aquelas com maior índice de exploração, além de enrijecer a lei, no intuito de punir devidamente o criminoso e finalizar o ciclo de contrabando da fauna selvagem. Em adição, é mister que o Ministério da Educação crie campanhas de conscientização que retratem a importância da preservação ambiental e o estímulo à denúncia, em escolas, redes sociais e canais televisivos, isso pode ser feito mediante uma parceria com empresas privadas. Dessa maneira, poder-se-á vislumbrar uma sociedade mais harmônica com a fauna local.