O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 30/07/2020

Na produção cinematográfica “Rio”, do diretor Carlos Saldanha, conta-se a estória de dois pássaros que são sequestrados para serem vendidos ilegalmente. Nesse espectro, o filme explicita como as aves padecem desse mal deveras nefasto, que leva muitas à morte. Sob esse mesmo prisma, observa-se, fora da ficção, a vigência do comércio ilegal de animais silvestres no Brasil, que segue um panorama global. À vista disso, necessita-se considerar a presença do forte mercado consumidor e a forma precária que os animais são tratados tradicionalmente no país, circunstâncias que aumentam a comercialização desses.

Mormente, deve-se considerar o altíssimo número de aves comercializadas ilegalmente no país: são 4 bilhões anualmente, em média, segundo a revista Ciência e Cultura. Isso ocorre pois o mercado consumidor nacional e internacional não param de crescer e, desse modo, patrocina cada vez mais esse crime. Além disso, a glamourização em cima de animais, encontrando-se presente em diversos segmentos artísticos, como no  clipe musical “Triumph of a Hearth”, da cantora islandesa Bjorn, em que essa beija um gato, aumenta o desejo de consumo da sociedade pelos animais. Desse modo, políticas públicas tornam-se necessárias parra  que esse crime seja erradicado da nação.

Ademais, o tradicional tratamento inadequado com os animais reflete-se na negociação não fidedigna desses, de forma que o homem acredita possuir o direito de retirá-los da natureza. Esse comportamento está embasado no preconceito de muitas pessoas que consideram a espécie humana como superior, de modo que poderia alterar a natureza de acordo com seus interesses. Todavia, a frase célebre do filósofo francês Voltaire, “O preconceito é uma ideia que ainda não passou pelo tribunal da razão.”, ilustra como essa crença infundamentada está totalmente errônea. Destarte, o tratamento com animais em geral precisa de grandes mudanças para que a venda ilegal desses diminua consideravelmente no  país.

À luz dessas perspectivas, evidencia-se como a comercialização de animais silvestres ataca a vida e o direito de muitas seres, condições que devem ser exterminadas. Para isso, urge que o Estado amplie drasticamente o tempo de cárcere (visto que não passa de 1 ano, consoante o G1), para que a sociedade fique isenta desses malfeitores, e coloque multas mais altas aos compradores, com o propósito de diminuir o mercado consumidor. Assim, animais silvestres terão mais possibilidades de conseguir direito àquilo que a ONU (Organização das Nações Unidas) considera como básico à humanidade: o direito à liberdade e à vida.