O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 31/07/2020
O comércio ilegal de animais silvestres tem crescido de maneira alarmante no Brasil nos últimos anos. Estima-se que cerca de 38 milhões de animais são retirados de seu habitat natural anualmente, gerando um impacto ambiental sem precedentes. Ao analisarmos a questão, verificamos que as políticas de combate ao comércio ilegal destes animais têm se mostrado ineficazes, uma vez que se concentram apenas na prisão dos traficantes e resgate dos animais já capturados e negligenciam as ações de conscientização das pessoas que compõem o mercado consumidor desses animais.
Em primeiro lugar, é evidente a importância de fiscalizações em rotas de tráfico de animais silvestres com o objetivo de coibir a prática. Entretanto, estas operações, em geral isoladas, não são suficientes para a solução do problema, pois os animais resgatados são encontrados num estado de grande debilidade física e com pouca chance de recuperação. Outro aspecto que a agrava a situação é o fato de que muitos destes animais não poderão ser reinseridos no ambiente natural em função do risco de não sobreviverem ou de se tornarem pragas acarretando um desequilíbrio ainda maior. Nesse sentido, o melhor momento para as ações de fiscalização seria anterior à própria captura dos animais; pois, desta forma, evitar-se-ia todo o impacto negativo para o ecossistema.
Por outro lado, é fácil perceber que faltam ações no sentido de conscientizar a população acerca de sua responsabilidade social no enfrentamento deste problema, pois além do impacto ambiental decorrente da compra ilegal de um animal silvestre, há ainda o risco para a saúde das pessoas que mantêm uma relação de proximidade com animais desta natureza em suas casas; são as chamadas zoonoses - doenças que circulam entre animais e humanos; bastante comuns em situações como estas. Ressalte-se, por óbvio, que a captura e oferta desses animais não ocorreriam se não houvesse quem os comprassem. Assim sendo, a causa precípua do crescente comércio ilegal desses animais é a falta de consciência das pessoas que movimentam este mercado.
Ante a complexidade e urgência do problema tratado acima, é preciso que o Governo, na figura do Ministério da Educação e Cultura, promova alteração nos currículos escolares para incluir esta temática desde os primeiros anos da educação infantil, visando uma tomada de consciência dos cidadãos ainda em formação, além de veicular campanhas publicitárias em canais de comunicação de grande alcance para atingir todas as classes sociais e faixas etárias. Em outra frente, os órgãos fiscalizadores devem adotar trabalho de inteligência, empregando ferramentas tecnológicas para se anteciparem aos traficantes e impedirem a captura destes animais silvestres e não somente sua comercialização.