O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 01/08/2020
É inegável que o sussurro da coruja ao anoitecer invoca sentimentos diversos no ser humano. Seja de medo ou de curiosidade, esse animal silvestre, símbolo da inteligência, também é alvo de um comércio clandestino com movimentações bilionárias no mundo. Nesse sentido, mesmo com o trabalho incessante de ONG’s e instituições universitárias, o tráfego ilegal de animais silvestres é um problema presente no Brasil e seus parâmetros socioculturais e geográficos devem ser analisados meticulosamente devido a suas consequências à fauna nacional.
É incontrovertível que o Brasil, dono de grande biodiversidade natural, seja o epicentro do mundo quanto às movimentações do tráfico de animais silvestre. Boa parte do problema se desenvolve devido à grande área da divisa territorial do Brasil. Logo, um país com fronteiras com a maior parte dos países da América do Sul, está predisposto a uma dificuldade de fiscalização na atuação desse comércio. Outrossim, além da dificuldade no rastreamento, grande parte dos animais apreendidos são muitas vezes submetidos a parcas condições de sobrevivência, até mesmo piores que aquelas quando traficadas – sendo este, um motivo para muitas autoridades decidirem pela eutanásia de um grande número de aves.
Outro ponto a ser considerado, tomando como parâmetro as opiniões de especialistas na área, é a ocorrência das chamadas zoonoses, doenças de transmissão entre os humanos e os animais. Se por um lado, as zoonoses de animais domesticáveis são numericamente menores e controláveis, por outro, as zoonoses de animais silvestres possuem uma grande variedade de manifestações, assim como de tratamentos, sendo estes, dificultados dependendo da localidade de um eventual acidente.
Portanto, é evidente a existência de entraves na consolidação de medidas que transponham as barreiras do problema, tendo como empecilho a hierarquia de poderes do território brasileiro, que diminui as capacidades de ações locais nas regiões fronteiriças, ficando muitas vezes sujeitas somente à ação de ONG’s. Nesse sentido, a conscientização da população deve se manter consonante às inequívocas consequências do problema, cabendo ao governo federal o incentivo à produção de palestras e propagandas que exortem o problema e o tornem mais lúdicos à população em geral, e também investir na estrutura de rastreamento das movimentações desse comércio, fazendo com que assim, a vida de milhares de animais seja preservada.