O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 10/08/2020
No filme “Tainá”, é contada a história de uma índia que luta para impedir o contrabando de animais na Amazônia. Ao sair da ficção e fazer uma analogia entre a obra cinematográfica e a realidade, percebe-se que o tráfico de animais silvestres vai além de um enredo ficcional e se faz presente no Brasil hodierno. A partir desse viés, é fundamental discutir a importância do combate ao comércio ilegal de animais silvestres, bem como a problemática que impede a resolução dessa questão, com o objetivo de propor medidas que solucionem esse problema.
É válido destacar, de início, que a relevância do combate ao comércio clandestino de animais está ligada diretamente com as relações ecológicas. Isso porque, tendo em vista que cada animal desempenha um papel específico no ecossistema, nota-se que ao retirar uma espécie do seu habitat natural, não haverá outra para desenvolver aquela função, o que, além de ocasionar um desequilíbrio ecológico, pode acarretar também na extinção de diversas espécies da fauna. É o que se pode provar a partir de dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), os quais mostram que 38 milhões de animais silvestres são retirados do ecossistema brasileiro para a venda ilegal, fato que acaba afetando a biodiversidade brasileira e o equilíbrio ecológico.
Convém pontuar, ainda, que o crescente número de casos ligados ao contrabando de animais é um obstáculo para a mitigação desse problema. Tal questão pode ser justificada pelo fato desse comércio não encontrar barreiras fiscais que o impeça, visto que, a negligência governamental, atrelada à falta de investimentos, colabora com a prolongação do tráfico de espécies da fauna silvestre. Essa situação pode ser associada ao caso que repercutiu no Brasil, em 2020, do estudante de medicina veterinária, Pedro Henrique, que, após ser picado por uma cobra naja, foi detido por tráfico ilegal de cobras, as quais ele comercializava em redes sociais, como o Facebook, comprovando, assim, a facilidade dessa prática que é considerada a 3ª maior atividade ilegal do mundo, de acordo com a Renctas
Infere-se, portanto, que o comércio de animais silvestres deve ser combatido. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ibama, deverá, por meio de 5% do PIB nacional, criar centros de fiscalização nas fronteiras internacionais e regionais brasileiras, os quais avaliarão qualquer questão relacionada ao contrabando de espécies da fauna, a fim de que o tráfico de animais seja mitigado. Dessa forma, a realidade vista em “Tainá” não se fará mais presente no Brasil.