O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 11/08/2020

O filósofo prussiano Immanuel Kant proferiu a seguinte frase: “Podemos julgar o coração de um humano pela forma que ele trata os animais”. Sob essa óptica, é perceptível que, hodiernamente, alguns humanos são passíveis de serem julgados negativamente acerca dessa questão, pois praticam o comércio ilegal de animais silvestres, sobretudo, em território nacional. Com efeito, cabe analisar que esse crime fomenta os maus-tratos aos animais e também a possível extinção das espécies.

Em primeiro plano, verifica-se que os traficantes utilizam métodos fustigantes para a apanha dos animais. Como exemplo, pode ser citado o caso da cobra naja, divulgado pelo portal de notícias G1, a qual foi retirada de seu habitat natural, aprisionada e vendida, para viver em cativeiro em uma casa de um membro da elite brasileira. Com isso, é visível que para esse comércio ilegal se sustentar, os criminosos precisam capturar, transportar e perseguir as mais variadas espécies de animais. Por consequência, alguns seres vivos podem se machucar severamente durante esses procedimentos e, na maioria das vezes, são alimentados de forma insuficiente, ações essas que denotam intensos maus-tratos aos animais.

Além disso, nota-se que essa prática provoca a gradativa extinção de espécies da fauna brasileira e mundial. Nessa lógica, pode-se destacar que, durante o período pré-colonial do Brasil, a Coroa portuguesa realizava expedições exploratórias, as quais foram responsáveis pelo tráfico de animais exóticos do Brasil, para a posterior venda em Portugal. Dessa forma, ao longo dos anos, algumas espécimes entraram em processo de extinção, pois suas populações diminuíram drasticamente no Brasil e também não conseguiram sobreviver ao clima temperado da Europa. Logo, observa-se que que esse antigo costume dos colonizadores ainda perdura no ideário de alguns cidadãos, o que traz prejuízos para espécies e ecossistemas do mundo todo.

Constata-se, portanto, que é fundamental combater o comércio ilegal de animais silvestres. Para isso, é imperioso que o Ibama –Instituto Brasileiro do Meio Ambiente-, por meio de recursos advindos do Ministério do Meio Ambiente, organize um plano de ação eficiente para a fiscalização de pontos estratégicos do país, nos quais essa comercialização ilegal é recorrente. Ademais, esse programa precisaria ser articulado com a Polícia Ambiental, e teria a finalidade de minimizar os danos que essa ilegalidade causa aos animais, ao mesmo tempo que pune os responsáveis pela prática. Assim, uma boa parte dos humanos poderá ser julgada positivamente, conforme a ideia de Immanuel Kant.