O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 19/08/2020
O filme de animação norte-americano “Rio”, produzido em 2011, retrata a história de uma ararinha-azul chamada Blu, que ao nascer, foi submetida à crueldade do tráfico de animais, sendo exportada do Rio de Janeiro para os Estados Unidos. Apesar de ficcional, a obra representa parte da realidade, uma vez que a questão dos maus-tratos e do tráfico de animais ainda é presente na contemporaneidade, seja pela falsa percepção de que animais são objetos, seja pelo sentimento de superioridade em relação aos animalejos. Logo, é mister a análise dessas causas, a fim de solucioná-las, além de promover o pleno funcionamento da sociedade.
Convém ressaltar, a priori, a relação intrínseca entre os maus-tratos e a objetificação dos animais, tratados como objetos de consumo que podem facilmente serem descartados. Nessa perspectiva, a filósofa Hannah Arendt desenvolveu a teoria da “banalidade do mal”, a qual defende que, quando uma atitude violenta ocorre com frequência e sem questionamento, essa ação passa a ser tratada como trivial. Dessa maneira, os elevados índices de maus-tratos aos animalejos evidenciam a banalização dessa atividade na sociedade brasileira, permitindo a assimilação de que os animais são destituídos de sentimentos torne-se enraizada.
Ademais, é válido destacar o papel do sentimento de superioridade na perpetuação dos maus-tratos aos animais. Nesse viés, Machado de Assis, em sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, trabalha a metáfora da ponta do nariz, segundo a qual os humanos fixam-se no próprio nariz, uma representação clara da crença de superioridade dos indivíduos. Analogamente, pode-se afirmar que os seres humanos, os quais se sentem mais desenvolvidos racionalmente que os animais domésticos, acabam agredindo-os devido à crença de preeminência. Diante do exposto, é evidente que o individualismo e o egocentrismo contribuem para os atos de maus-tratos, conjuntura negativa que deve ser reduzida.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de atenuar a crueldade imposta aos animais no cenário brasileiro. Por conseguinte, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério da Educação, atuar no âmbito educacional, por meio de campanhas de educação ambiental, motivando a sociedade a combater os maus-tratos direcionados aos animais. Não obstante, além da conscientização, ocorrerá um maior questionamento da violência direcionada aos animalejos atenuando essa prática de superioridade do ser humano. Assim, será possível que a crueldade, representada no filme “Rio”, seja mantida no ambiente artístico.