O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 08/09/2020
A canção Assum-Preto, de Luiz Gonzaga, é uma das diversas obras as quais retratam a exoticidade da fauna brasileira. No entanto, o que pouco se tem conhecimento sobre é que, assim como o pássaro que inspirou a composição do “Rei do Baião”, inúmeras espécies sofrem grave ameaça de extinção. Conforme se sabe hodiernamente, a ação antrópica é a principal causa da ocorrência do desaparecimento de seres pertencentes, majoritariamente, ao grupo das aves, dos répteis e dos peixes. O tráfico de animais enquadra-se, indubitavelmente, nessa perspectiva, urgindo, assim, a necessidade de combatê-lo. Desse modo, faz-se preciso atentarmo-nos à questão da grande biodiversidade como uma das maiores razões da sucessão da problemática e também da redução gradual daquela, consequente ao avanço do comércio ilegal de espécimes.
Em primeiro lugar, é notório que a enorme variedade de espécies torna o Brasil um dos potenciais alvos de traficantes em todo o mundo. A venda de pássaros, cobras e lagartos, por exemplo, é extremamente rentável e direciona-se, muitas vezes, aos colecionadores particulares e também possui fins científicos (atividade denominada “biopirataria”). Tal prática é recorrente e antiga neste território, uma vez que no limiar do século XVI já haviam registros da exploração e do envio de organismos, tanto da fauna quanto da flora do país (ainda colônia) para a metrópole portuguesa. Logo, depreende-se a premência da desconstrução desse processo histórico e nocivo.
Por conseguinte, verifica-se uma extensa diminuição da biodiversidade em virtude da realidade apresentada. Muitos fatores podem comprovar esse aspecto, tais como: a morte dos animais durante o percurso, visto que eles são mal alimentados e transportados sem qualquer cuidado; a alteração dos nichos ecológicos, das relações intra e interespecíficas (entre e com outras espécies), além da alteração nas cadeias alimentares, causando um intenso desiquilíbrio no ecossistema. Esse cenário caótico sustenta o que outrora citou o filósofo Arthur Schopenhauer: “O homem faz da Terra um inferno para os animais.”, confirmando, portanto, a carência de resoluções para o impasse exposto.
Destarte, em virtude dos argumentos mencionados e com o intuito de amenizar o problema, o Governo Federal deve implantar medidas que impeçam a ação dos traficantes, aumentando os investimentos no setor do meio ambiente, utilizando tecnologias e agentes, a fim de fiscalizar a atividade de forma mais efetiva. A média, por meio d propagandas na TV e nas mídias sociais, deve promover campanhas que informem a população sobre os canais de denúncia como a Linha Verde, do IBAMA, também buscando auxiliar no monitoramento. Assim, atenuar-se-á o preocupante panorama descrito.