O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 23/09/2020

Segundo o princípio de responsabilidade do filósofo alemão Hans Jonas, “Deve-se agir de tal forma que a máxima de sua ação permita a perpetuação dos seres vivos no planeta”. De fato, essa afirmação refere-se a busca por um desenvolvimento focado na sustentabilidade. Todavia, diante do comportamento antrópico, baseado no consumismo e exploração dos recursos naturais como, por exemplo, o tráfico de animais, torna-se um desafio combater esse mal.

É fundamental, a priori, salientar o papel socioeconômico do tráfico de animais no Brasil. Sem dúvida, apesar da necessidade do homem de explorar a natureza como uma forma de sobrevivência, foi a partir da 1ª Revolução Industrial que isso ganhou proporções gigantescas. Assim, perante a ideologia capitalista, foi criado uma cultura de consumo que extrapola às necessidades humanas e que visa o lucro. Nesse sentido, o uso insustentável da natureza como, desmatamento, queimadas, tráfico de animais, tem gerado consequências graves para o equilíbrio ambiental- secas prolongadas, chuvas fortes e mal distribuídas, altas temperaturas- e põe em risco, como citou Jonas, a perpetuação dos seres vivos no planeta.

Diante desse panorama, vale acrescentar que são óbvios os desafios de combater o lucrativo tráfico de animais no país. Com efeito, o Brasil tem dificuldades de frear a degradação do meio ambiente diante da consolidada cultura do consumo líquido, a qual, segundo Zygmunt Bauman, “Somos definidos pelo o que consumismos, já que não é a personalidade que define o ser, mas sim, o que ele consome”. Essa situação é agravada pela falta de investimentos em pesquisas direcionadas ao desenvolvimento sustentável. Assim, a preservação da fauna, por exemplo, carece de efetivos para fiscalização, IBAMA e Polícia Federal, aparato tecnológico e infraestrutura, pois, visto as dimensões do Brasil, é fundamental os esforços do Estado no combate ao comércio ilegal de animais.

É urgente, portanto, estabelecer mecanismos de combate ao tráfico de animais. Para isso, cabe ao Ministério do meio Ambiente investir em infraestrutura de fiscalização, por meio de uma maior disponibilidade de efetivos e equipamentos. Além disso, é indispensável a adoção de projetos educacionais os quais possam atingir alunos e a comunidade mediante palestras em escolas e mídias sociais, com a finalidade de se buscar o desenvolvimento sustentável. Destarte, será possível caminhar na direção do princípio de responsabilidade.