O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 09/11/2020

No filme “Rio”, há a abordagem sobre a captura de animais, em especial de uma ararinha-azul, que são levados do Rio de Janeiro até o exterior para serem comercializados ilegalmente. Fora do campo cinematográfico, o apresentado pela narrativa não destoa da realidade brasileira, na qual o tráfico de animais silvestres, mesmo ilícito, é intensificado pelas fiscalizações ineficientes e pela falta de compreensão de compradores acerca dos impactos ambientais gerados por esse crime.

Em primeira análise, o comércio ilegal da fauna silvestre não é fiscalizado de forma eficaz, situação que contribui para a não ocorrência de punições. De acordo com dados da organização WWF (World Wide Fund for Nature), cerca de 38 milhões de animais são retirados de seus habitats nativos todos os anos, cenário que mostra como o tráfico desses seres vivos é uma ação corriqueira. Apesar disso, o Estado não trata essa questão como uma prioridade, o que resulta no baixo número de investimentos na capacitação de profissionais e em equipamentos para que ocorra a investigação de criminosos e suas penalizações. Esse viés pode ser explicado por Hannah Arendt, a qual afirma que quando algo ocorre diariamente numa sociedade, mesmo sendo uma crueldade, acaba tornando-se banalizado.

Ademais, a ignorância de muitos compradores em relação aos impactos que essa forma de tráfico tem na biodiversidade contribui para com sua ocorrência. É evidente que a cultura de mercar bichos selvagens é oriunda do período colonial, em que portugueses enviavam bichos exóticos para a Europa, onde eram considerados símbolos de luxo por conta da obceção das pessoas pelo exclusivo. Decerto, essa perspectiva ainda é presente na contemporaneidade, graças à falta de conhecimento acerca de consequências geradas, como a extinção de espécies que são essenciais para o equilíbrio ambiental, assim como exposto por uma reportagem do “Fantástico”, em que uma preguiça ficou três dias sem água e comida dentro de uma caixa de papelão e morreu por conta dos maus-tratos - situação que facilita o desaparecimento desse ser.

Portanto, medidas devem ser tomadas para que ocorra a resolução da problemática. Assim, é dever dos Ministérios do Meio Ambiente e da Economia promover a destinação de maior parcela do PIB (Produto interno bruto) para investimentos em fiscalizações de tráficos animais e capacitação de profissionais que realizam esses serviços. Além disso, é papel do Ministério da Educação incentivar escolas, desde o nível infantil, a ensinar a importância da conservação da fauna silvestre em seus habitats nativos, a partir da doação de matériais didáticos e lúdicos. Dessa forma, o Estado e a população contribuiram para que crueldades contra esses seres não ocorram, o que fará com que a teoria de Hanna Arendt não seja mais aplicada na sociedade brasileira.