O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 28/11/2020
A obra cinematográfica “Rio”, dirigida por Carlos Saldanha, retrata a história de uma ararinha- azul - espécie ameaçada de extinção- chamada Blu que ao nascer foi capturada de seu habitat original e levada para os Estados Unidos, expondo uma situação de tráfico de um animal silvestre. Não distante da ficção, o comércio ilegal de animais silvestres é presente de forma extremamente danosa ao patrimônio ambiental e evidencia a necessidade de intervenção para combater essa realidade. A partir dessa perspectiva, é possível destacar a conduta especista e a mercantilização rotineira sobre os animais silvestres.
Em primeiro plano, o comércio ilegal de animais reverbera a má relação do homem com o meio ambiente, sobremodo, com os animais visto que esses são explorados e traficados. Nesse contexto, o conceito de especismo, do filósofo Peter Singer, ratifica essa perversa conduta em que a espécie humana discrimina outras por considerá-las inferiores, dando o direito de explorar e escravizar. Com efeito, a conduta especista é um retrocesso para a relação harmônica do homem com o meio e intensifica o comércio ilegal.
Além disso, a mercantilização rotineira dos animais,ou seja, a transformação em mercadoria desses fomenta o tráfico de espécies que, segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais (Renctas), é a terceira maior atividade ilícita de alta lucratividade em que o viés mercadológico é sobressalente de forma a ignorar o sofrimento dos animais, uma vez que, são expostos a condições insalubres, ocasionando muitas vezes em morte. Nesse sentido, a perspectiva marxista afirma esse contexto, no qual a sociedade capitalista prioriza os lucros em detrimento de valores morais. Desse modo, a mercantilização dos animais reafirma essa lógica do lucro que esfacela a ética ambiental e coloca em risco a biodiversidade.
Em suma, percebem-se os malefícios advindos do comércio ilegal de animais silvestres. Portanto, o Ministério do Meio Ambiente em parceria com as escolas devem promover educação ambiental, por meio de palestras - as quais devem despertar o interesse de engajamento em prol da defesa e respeito aos animais- com vistas a modificar a conduta especista. Ademais, compete ao Ibama estimular projetos juntamente com a Polícia Militar Ambiental, por intermédio de operações - as quais devem ser frequentes e distribuídas em diversas regiões principalmente nas fronteiras - com o fito de erradicar a mercantilização e o tráfico de animais. Assim, ter-se-á uma realidade diferente da abordada no filme “Rio”.