O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 09/12/2020
O filme “Tainá - Uma Aventura na Amazônia” é uma produção brasileira que evidencia, ao mostrar diversos animais enjaulados em espaços pequenos e insalubres, os maus-tratos aos quais os animais traficados são submetidos. Esse filme, infelizmente, ilustra o atual contexto brasileiro em que o comércio ilegal de animais silvestres se faz presente. Tal entrave está ligado à visão de superioridade que os humanos têm em relação a outras espécies e gera impactos negativos aos animais.
Em primeiro lugar, o comércio ilegal de animais é pautado por uma conduta especista. Essa noção é discutida pelo filósofo Peter Singer, que define o especismo como a discriminação realizada por uma espécie - no caso, a humana - em relação às outras, que são exploradas por serem consideradas inferiores. Tal discriminação é observada no cenário do comércio ilegal de animais, pois, visando ao lucro, os traficantes submetem os animais a maus-tratos – como transporte em condições inadequadas, por exemplo em malas apertadas e em canos de PVC, o que pode gerar ferimentos ou até levar os bichos à morte - sem se preocupar com o bem-estar das espécies que são alvo desse crime. Portanto, o especismo motiva a despreocupação com os animais, sendo, dessa forma, um desafio no combate ao tráfico de espécies silvestres.
Em segundo lugar, o comércio ilegal de animais silvestres gera prejuízos não só aos bichos mas também aos seres humanos. Tal impacto negativo é evidenciado pela Covid-19, uma zoonose – doença que se manifesta em animais e que pode ser transmitida para o homem – cujo início está supostamente associado, conforme o “El País”, a um mercado em Wuhan, em que animais silvestres são comercializados vivos, muitas vezes em condições insalubres. Embora esse fato tenha ocorrido na China, ele ilustra uma possível consequência do comércio ilegal de animais, já que, assim como no mercado chinês, ocorre no tráfico interação humana com os bichos, que são mantidos em condições precárias de higiene. Nessa perspectiva, fica evidente que combater esse tipo de comércio é um ato de proteção ao bem-estar animal e à vida humana. Logo, é necessário que ocorra uma mobilização para superar os empecilhos do combate ao comércio ilegal de animais silvestres no Brasil.
Portanto, as ONGs de proteção animal devem denunciar, por meio de posts em redes sociais, o tráfico de animais e o especismo ligado a esse comércio. Essas postagens devem, por exemplo, apresentar os riscos que o comércio de animais acarreta à população bem como as situações de maus-tratos aos quais eles são submetidos. Tal medida tem como objetivo engajar a população na defesa da fauna brasileira, de modo a extinguir a comercialização das espécies nativas. Assim, cenários como o de “Tainá - Uma Aventura na Amazônia” não serão mais uma realidade no Brasil.