O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 21/12/2020
A animação ‘‘Rio’’, produzida pelos estúdios Blue Sky, narra o sofrimento enfrentado por aves exóticas retiradas forçadamente do Rio de Janeiro, seu ambiente nativo. Nesse sentido, percebe-se que o comércio ilegal de espécies silvestres transpõe a ficção, configurando-se um problema crítico. Dessa maneira, o efetivo combate ao contrabando zoológico enfrenta desafios como a inércia estatal e o desconhecimento da população.
Vale destacar, inicialmente, a estática do setor governamental como fator determinante da questão. Sob esse viés, a elaboração da Constituiçao Cidadã, há 32 anos, definiu como prioridade pública a tutela responsável e protetora da rica fauna nacional. Entretanto, a realidade destoa da teoria magna, uma vez que estudos realizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) apontam o País entre as cinco nações mais vitimizadas pela retirada ilegal de espécimes em 2019. Tal panorama, portanto, nega prerrogativas constitucionais e, por isso, deve ser alterado.
Além disso, a desinformação presente na população civil é agravante da conjuntura. Nessa perspectiva, a sociologia moderna define a força do desconhecimento como fruto do processo de alienação comunitária, responsável pela permanência da manipulação e do controle dominante. Assim sendo, indivíduos no Brasil e no mundo, muitas vezes, não compreendem os verdadeiros e nocivos propósitos da rede de tráfico, e, consequentemente, adotam postura passiva e conivente. Logo, medidas amplas devem ser postas em prática para solucionar o problema.
Diante disso, compete ao Ministério da Educação promover a reeducação ambiental da população, por meio de uma parceria com o IBAMA. Por sua vez, essa colaboração deve incrementar na Base Nacional Comum Curricular no mínimo 30 horas mensais obrigatórias de disciplinas voltadas para ecologia, referendadas por biólogos e pesquisadores especialistas. Com isso, objetiva-se instruir acerca dos males do contrabando e romper com a inércia do governo e com a alienação da população. Dessa maneira, tramas como a apresentada pelo filme ‘‘Rio’’ hão de se limitar à ficção.