O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 24/12/2020
Segundo dados da Universidade Federal de Minas Gerais, cerca de 38 milhões de animais silvestres são retirados por ano de seus locais de origem no Brasil. Visto isso, sabe-se que essa prática - terceira maior atividade ilegal do mundo - é extremamente prejudicial ecológicamente. Por tanto, tem-se como problemáticas a ameaça à fauna, e as dificuldades de devolução desses animais para natureza pós apreensão.
Recuperação de florestas, polinização, qualidade da água, e muitas outras contribuições são exemplos da importância dos animais silvestres na natureza que participam. Entretanto, a retirada clandestina de seus locais de origem implica diretamente na manutenção harmônica desses habitats, uma vez que são interrompidas suas relações com o ambiente, bem como as relações com os animais de seus nichos ecológicos. Ademais, uma das consequências dessa problemática é a extinção desses bichos exóticos. A ameaça à vida desses animais deve-se, entre outros fatores, aos maus tratos a que estão submetidos nas mãos dessas traficantes, desde os locais onde são “armazenados”, até às práticas a que estão subordinados. Os ursos, por exemplo, são forçados, muitas vezes a lutar com uma rinha de cães; golfinhos, usados no entretenimento turístico.
Por conseguinte, sabe-se que o comércio ilegal deus animais tem destinos variados: podem ser vendidos como bichos de estimação, podem ser exportados, ou vendidos para centros de turismo. Logo, percebe-se uma grande dispersão desses animais silvestres pelo país e pelo mundo, o que reflete na dificuldade do processo de ressarcimento dos mesmos a seus locais de origem. Segundo dados do Instituto Água e Terra, apenas 5% dos animais traficados por ano no Brasil são apreendidos, e nem todos voltam para seus habitats. Isso porque a devolução destes ao ambiente implica em alguns fatores: não se pode soltá-los em qualquer lugar, visto que eles tem seu próprio nicho ecológico, e se tornariam presas fácil ou pragas em meios muito diferentes dos seus de origem, o que causaria desequilíbrio no meio ao qual foi inserido.
Sendo assim, cabe ao Governo Federal, junto a organização de proteção à fauna, o estabelecimento de propagandas na grande mídia que estimulem as pessoas a contribuírem contra esse comércio ilegal, a partir de petições, além de informá-las quanto a cumplicidade com o processo na compra esses animais como bichos de estimação. Cabe a esses órgãos também, o investimento em pesquisas de reconhecimento de DNA desses animais, e treinamento para os mesmos, com o objetivo de obter maior êxito na devolução dos mesmos a seus locais de origem, visando o bem estar desses bichos, bem como o fim de sua comercialização.