O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 22/12/2020

Segundo a lei da inércia, de Newton, um corpo tende a se manter imóvel ao menos que alguma força aja sobre ele. Fora da física, é possível perceber essa mesma condição no que se refere ao comércio ilegal de animais silvestres no Brasil, que segue sem uma intervenção que a resolva. Nesse contexto, observa-se a configuração de um grave problema, em virtude da falta de suficiência legislativa e da objetivação dada a natureza.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a insuficiência legislativa presente na questão. Nesse viés, o filósofo Maquiavel defendeu que “mesmo leis bem ordenadas são impotentes diante dos costumes”. Essa perspectiva aponta para uma falta muito comum na sociedade: crer que a elaboração da lei em si é suficiente para resolver problemas complexos. Portanto, a existência da lei nº 5197 de 1967, que torna ilegal o comércio de animais silvestres, não garante a inexistência desse tipo de abuso, ao menos que exista a fiscalização e punição efetiva, não apenas de quem captura, transporte e vende como também dos seus compradores.

Outrossim, cabe ressaltar que a objetivação da natureza por parte do homem é um fator que contribui para a existência do problema. Nesse sentido, o físico e filósofo Fritjof Capra afirma que a visão científica cartesiana, que separa o objeto de estudo do seu observador, tem influenciado toda a sociedade a crer que o homem é um elemento distinto da natureza. Esse tipo de visão, não integralista, aliado a uma sociedade pautada no consumo, contribuí para que o indivíduo enxergue a natureza e os animais como meros objetos a serem explorados via mercado, além de validar todos os maus tratos provenientes desse tipo de comércio.

Logo, medidas são necessárias para combater tráfico de animais silvestres no Brasil. Para isso, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com ONGs especializadas, elabore uma campanha por meio de vídeos a serem vinculados na TV abertas, divulgando amplamente os canais de denúncia, a fim de estimular a população a delatar esse tipo de crime, tornando-a uma parceira do estado no combate a essa transgressão. Ademais, esses vídeos devem conter imagens reais dos maus tratos provenientes desse tipo de comercialização, além de orientar a população quanto a punição decorrente da captura e da compra desses animais. Apenas assim, a situação do tráfico de animais silvestres no Brasil pode sair do seu estado inercial.