O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 03/01/2021
No célebre filme “Rio”, dirigido por Carlos Saldanha, é mostrado o sequestro de aves brasileiras para outras localidades diferentes de seu local de nascimento. Entretanto, apesar de ser uma obra ficcional, tal arte representa a triste realidade de boa parte da fauna nacional. Consoante o exposto, a ineficiência estatal e a herança cultural negativa são problemas a serem combatidos.
A princípio, destacam-se as dificuldades do Estado em fiscalizar todo o território do Brasil. Sob essa óptica, o conceito do geógrafo Milton Santos, faz-se fundamental, visto que o país possui dimensões continentais e uma das maiores faunas do planeta, por quantidade e diversidade. Dessa forma, o comércio ilegal de animais silvestres é facilitado, em função da morosidade estatal em investigar e resolver os problemas, do baixo número de funcionários dedicados ao combate, da precária tecnologia para monitorar possíveis práticas ilícitas e do desinteresse da maioria da população pela causa. Logo, a Constituição Federal não é cumprida, visto que ela garante a integridade aos animais e a punição aos criminosos.
Outrossim, o Brasil possui uma herança cultural deletéria no trato aos animais, especialmente os silvestres. Nesse sentido, é válido recordar o passado colonial e imperial, em que a fauna brasileira era usada como motivo de ostentação pela corte real, inclusive na coroação de Dom Pedro II. Ainda que séculos tenham passado, exibir aves, reptéis e anfíbios, bonitos e exóticos, é uma prática comum até os dias de hoje. Sob esse viés, pode-se ter como exemplo, um estudante, de Medicina Veterinária, que cultivava cobras da espécie Naja, naturais da África, com o intuito de fomentar o comércio e a autoexibição. Sendo assim, a naturalização do senso comum dessas abomináveis práticas precisa ser combatida para o bem-estar do ecossistema.
Destarte, para modificar a realidade vigente, o Governo Federal deve intensificar recursos para o Ministério do Meio Ambiente, por meio do aumento do efetivo profissional para cobrir diversas áreas e de uma atualização tecnológica para averiguar irregularidades, em virtude de um mapeamento genético de espécies ameaçadas pelo tráfico, a fim de mitigar essa prática e identificar e punir os infratores. Além disso, as Mídias devem realizar campanhas publicitárias que desmistifiquem a banalização do comércio ilegal de espécimes, alertando os riscos da prática não só aos animais envolvidos diretamente, mas também a toda cadeia alimentar. Logo, será possível mitigar o problema e as dificuldades encontradas pelos pássaros no filme “Rio”.