O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 14/05/2021

A Declaração Universal dos Direitos dos Animais — promulgada em 1978 pela ONU — assegura às espécies domésticas e silvestres o tratamento com dignidade e com respeito. Entretanto, a persistência do tráfico de animais impede que lhes sejam assegurados esses direitos internacionais na prática. Com efeito, a solução do problema pressupõe que se combata a cultura de exploração e que se preserve o equilíbrio ambiental.

Diante desse cenário, a Colônia de Exploração representou a mentalidade do brasileiro desde o século XVI, de modo que a população se acostumou a utilizar os recursos naturais de forma pouco — ou nada — responsável. Nesse sentido, o tráfico de animais evidencia que o comportamento do brasileiro contemporâneo ainda é exploratório e irresponsável com o meio ambiente. Nesse viés, meio milênio de evolução ainda não foi suficiente para aves, mamíferos e outras classes estejam livres do contrabando. Assim, se a mentalidade exploratória for a regra, o tráfico será uma cruel realidade.

Ademais, o comércio ilegal pode colocar em risco o equilíbrio ambiental. Nesse contexto, a Arara Azul alimenta-se das sementes da árvore Manduvi e faz seu ninho na cavidade do tronco dessa planta importante para biodiversidade do Pantanal. Ocorre que manutenção cruel do tráfico de animais coloca em risco a perpetuação da Arara Azul, interfere na dispersão das sementes da Manduvi e pode modificar a dinâmica das espécies de forma irreparável. Todavia, enquanto a exploração a animais se mantiver, o Brasil estará impossibilitado de experimentar um dos direitos mais importantes assegurados pelas Nações Unidas: o equilíbrio ambiental.

É urgente, portanto, que as escolas — responsáveis pela transformação social — desconstruam a mentalidade exploratória enraizada no brasileiro, por meio de projetos pedagógicos, como palestras e ações comunitárias capazes de desenvolver o respeito da população às espécies domésticas e silvestres. Essa iniciativa teria a finalidade, inclusive, de desestimular o uso dos bichos para o entretenimento humano e de garantir que o Brasil seja uma nação evoluída e, de fato, livre de tráfico de animais.