O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 06/10/2021
O filósofo francês Sartre defende que o ser humano é livre e responsável em suas ações. No entanto, a tese do intelectual destoa da realidade de comércio ilegal de animais silvestres, uma vez que a responsabilidade ao meio ambiente e à diversidade de espécies está sendo banalizada, o que prejudica a continuação da biodiversidade dos animais que vivem na natureza, pois a caça ilegal desses seres evidencia a irresponsabilidade humana capitalista. Nesse sentido, emerge um problema complexo em virtude da insuficiência legislativa e da carência de esclarecimento popular sobre essa situação grave.
Em primeiro plano, a falta de suficiência da ação normativa ambiental caracteriza-se como causa da questão. A esse respeito, o filósofo Jonh Locke afirma que “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis” para demonstrar a necessidade de atuação eficiente do Estado. Sob essa análise, é evidente que a continuação da venda de animais silvestres é um reflexo, em parte, da pouca atuação prática do governo para evitar que as espécies brasileiras sejam comercializadas ilegalmente no país, o que reflete, muitas vezes, a inoperância desse órgão. Diante disso, essa realidade é concretizada, seja pela pouca fiscalização estatal em matas, florestas nacionais e em feiras livres populares, que identifique e combata esse comércio, seja pela fragilidade nas punições desse crime que, por vezes, não é punido devidamente, possibilitando a perpetuação dessa atitude exploratória pelos criminosos.
Além disso, o deficit de entendimento da população contorna a problemática. Acerca disso, o sociólogo Émile Durkheim, em seus estudos sobre os fatos sociais, alega que as pessoas só poderão agir quando entenderem a realidade em que vivem. Nessa lógica, a carência de conhecimento sobre os riscos da exploração e do comércio de animais silvestres consolida uma sociedade que, frequentemente, não se mobiliza no combate a essa causa. Nesse contexto, esse panorama pode ser observado, por exemplo, na ausência de amplas atividades que evidenciem a ilegalidade da comercialização dessas espécies na comunidade, como em debates e palestras, de forma a não informar a sociedade sobre os riscos de extinção nas atividades ilegais que buscam o lucro em detrimento da fragilização das espécies silvestres brasileiras.
Portanto, com a finalidade de esclarecer a população acerca dessa prática ilegal e combatê-la, cabe ao Ministério do Meio Ambiente formular uma campanha social que promova o entendimento social, por meio do conhecimento de biólogos e ativistas do meio ambiente ,que devem usar o seus conhecimentos para esclarecer a população. Ademais, detalha-se que essa campanha seja acompanhada de periódicos debates nos municípios, além de propagandas de conscientização nas televisões e rádios. Assim, a visão de Sartre, nessa questão, poderá ser verificada no Brasil.