O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 08/11/2021

No filme estadunidense “Rio”, é retratada a história de uma arara-azul capturada por contrabandistas no Brasil e, posteriormente, levada para os Estados Unidos. Fora da realidade cinematográfica, o longa-metragem põe em pauta uma conduta nociva que persiste em fazer parte do corpo coletivo contemporâneo: o comércio ilegal de animais silvestres. A partir disso, é imperioso salientar os fatores contribuintes para essa problemática, a saber, a falta de fiscalização governamental adequada e a lesiva herança cultural de apreciação à seres exóticos.

Sob esse viés, cabe ressaltar a insuficiência legislativa no que tange ao pouco supervisionamento como alicerce que sustenta o imbróglio. Com isso, é lícito mencionar a célebre teoria da “Instituição Zumbi”, em que o sociólogo Zygmunt Bauman critica a precária qualificação de alguns setores sociais em exercerem as funções destinadas a eles. Nessa senda, essa máxima reverbera na conjuntura tupiniquim, visto que, apesar do tráfico de animais ser considerado crime no país, a negligência dos órgãos administrativos em controlar essas atividades engendra um cenário propício para conservação da prática. Dessa forma, a subfiscalização do aparato estatal brasileiro confirma a tese Baumaniana, além de corroborar a retirada de seres vivos dos habitats naturais para fins mercadológicos.

Ademais, é imperativo pontuar a danosa cultura de valorização dos seres exóticos como um dos elementos determinantes para a persistência do estorvo. Nesse sentido, a subtração clandestina da fauna brasileira é um hábito presente desde o Período Colonial, de modo que os navegadores estrangeiros retiravam animais das florestas e os levavam para exposição nos salões das cortes europeias. À vista disso, nota-se que o comércio ilegal de espécies silvestres no tecido civil hodierno como símbolo de status revela a faceta obscura da sociedade, refletindo a conservação histórica da ganância humana. Assim, a ideologia da ostentação de animais excêntricos fomenta o contrabando, bem como o consequente desequilíbrio ambiental gerado por esse panorama.

Verifica-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de reverter esse grave quadro pátrio. Para tanto, urge que o Poder Executivo, importante gestor dos interesses públicos, viabilize, por intermédio de investimentos financeiros, um sistema de policiamento qualificado e eficiente no território canarinho, a fim de desenvolver mecanismos que minimizem, a longo prazo, o tráfico de animais silvestres. Outrossim, cabe às ONG’s desenvolverem, mediante verbas orçamentárias oferecidas pelo governo, sites e redes telefônicas amplamente divulgados nas redes de comunicação de massa que permitam a comunidade realizar denúncias e, dessa maneira, contribuir para a manutenção da fauna nacional. Destarte, tornar-se-ia viável a formação de um contexto que difere daquele apresentado no filme “Rio”.