O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 09/11/2021

O filme “Rio” retrata a história da ararinha azul Rio que é retirada, quando ainda filhote, do seio de sua família, no Brasil, e levada, ilegalmente, para o Canadá. Embora ficcional, tal obra chama atenção para uma prática que, infelizmente, ocorre no cenário brasileiro: o comércio ilegal de animais silvestres. Nesse contexto, é crucial enfatizar que o combate a essa problemática não ocorre efetivamente no país graças à negligência governamental e à falta de engajamento social.

Cabe analisar, a princípio, que a indiligência do Estado potencializa a continuidade dos atos ilegais de comércio animal, evitando que esses sejam combatidos. Sob esse viés, pode-se destacar que esse contexto de inoperância dessa esfera de poder exemplifica a teoria de “Instituição Zumbi” do sociólogo Bauman. Nessa perspectiva, tal teoria encaixa-se nesse cenário, uma vez que, ainda que a Constituição federal de 1988 especifique o dever do Estado de punir as práticas de tráfico silvestre, tal processo não ocorre de forma efetiva, mostrando, explicitamente, sua inoperância. Assim, sendo o governo responsável pela manutenção de diversos setores nacionais, entre eles o do meio ambiente, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a falta de engajamento social como outro fator que contribui à manutenção do problema. Nessa ótica, vale salientar a teoria, de “Fato social”, do sociólogo Durkhem, que defende que os indivíduos são moldados a partir do que é disseminado, de forma coercitiva e generalizada, em sociedade. Posto isso, é notório que, se a sociedade não se engaja na realização de mudanças, a resolução de problemas - como o comércio ilegal de bichos silvestres - tende a não ocorrer, visto o impedimento da modelagem dos cidadão de forma alinhada a manutenção e proteção da fauna do país.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar as lacunas governamentais e sociais. Para tanto, a fim de garantir o cumprimento dos deveres do Estado, é preciso que o governo federal – por meio do redirecionamento de verbas arrecadadas pela Receita Federal – crie o projeto “Vida silvestre”, voltado a investir no treinamento da polícia ambiental para que está possa averiguar os casos, prender os inflatores e salvar os animais. Somado a isso, é imperativo que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, por intermédio de campanhas em redes sociais - como o Instagram - e mídias televisivas abertas, mostre a população a importância do combate ao comércio ilegal de animais, visando trazer a sociedade para a causa. Espera-se, logo, que casos como o da ararinha Rio não continuem sendo uma realizadade vigente no Brasil.