O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 16/11/2021

Segundo o escritor português José Saramago, há verdades que precisam ser repetidas para que não caiam no esquecimento. Traçando um paralelo entre o pensamento do autor e a realidade contemporânea, tem-se que uma dessas verdades que precisam ser reiteradas diz respeito ao quão cruel é a prática de comércio ilegal de animais silvestres - os quais vivem essencialmente na natureza e não deveriam ter contato com os humanos. É indispensável, portanto, combater veementemente esse exercício, tanto por razões de ordem legal quanto moral.

Em primeiro lugar, é válido salientar que o comércio ilegal de animais silvestres vai de encontro à norma. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, todos os animais têm direito ao respeito e à proteção do homem. Contudo, é desanimador notar que tal diretriz não dá sinais de plena execução, como mostram os dados alarmantes do portal de notícias da “G1”: apreensões de animais capturados para venda ilegal cresceu cerca de 20% em 2020. Com base nisso, chega-se à percepção de que os direitos assegurados na lei são retirados dos animais silvestres a partir do momento em que esses tornam-se reféns de um Estado inapto em fornecer o mínimo de segurança e empenho na luta contra o tráfico da vida selvagem. Confirma-se, portanto, o que já propunha Dante Alighieri, em “A divina comédia”: “as leis existem, mas quem as aplica?”.

Em segundo lugar, é fundamental reconhecer o viés moral que atravessa a questão. Sob tal perspectiva, cabe mencionar o filósofo espanhol Adolfo Sanchéz, o qual atesta que o ato moral deve levar em consideração o modo como ele afeta os demais. A partir desse pensamento, infere-se que o comércio ilegal de animais silvestres vai de encontro a essa ideia, visto que traz uma série de prejuízos a longo prazo, como a aceleração da extinção de espécies, a perda da biodiversidade e, até mesmo, a transmissão e a disseminação de doenças. Não dá para negar, portanto, a dimensão antiética da problemática.

Por conseguinte, cabe ao Ministério do Meio Ambiente - por ser o órgão responsável em formular e normatizar políticas nessa área - promover a criação de campanhas públicas periódicas, as quais elucidem os perigos do tráfico de animais silvestres para a população, ao mesmo tempo em que forneçam as informações necessárias para casos de denúncia. Isso pode ser feito por meio da mídia digital e tradicional, como redes sociais, jornais e pela própria programação do rádio. Iniciativas assim resultarão em uma maior consciência acerca do tema e de suas repercussões na sociedade.