O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 14/09/2022

Segundo a Constituição brasileira, é dever do Estado assegurar a proteção do patrimônio natural. Entretanto, muitos obstáculos se interpõem no caminho dessa garantia; algo percebido, por exemplo, no tráfico de animais silvestres. Por trás dessa questão, há uma cultura de descaso que marcou o passado do país e influenciou a postura atual quanto a esse problema. Sabendo disso, é essencial que essa realidade seja transformada.

Introdutoriamente, dando destaque à marca do período colonial na história do tráfico silvestre, entende-se que a fauna brasileira era, para o mercado daquela época, uma novidade exótica, sendo explorada como produto de comercialização. Sabe-se que muitos desses animais contribuem para a manutenção das cadeias alimentares e a polinização dos seus habitats— algo visto, por exemplo, no comportamento dos papagaios, que inclusive estavam entre os animais mais traficados desse período; e que, até hoje, são vitimados por essa prática. Dessa forma, a proteção ecológica depende da preservação das espécies.

Atualmente, percebe-se a persistência da mentalidade predatória do passado. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio ambiente, o tráfico de animais silvestres se encontra na casa das dezenas de milhões, sendo também o 3º maior no mundo. Tendo isso em vista, e sabendo que o Estado é o principal protetor do patrimônio natural nacional, nota-se a falta de uma postura incisiva perante essa questão— afirmação corroborada pelo fato de que, segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais, menos de meio cento das espécies chegam a serem resgatadas. Percebe-se, assim, o estado vulnerável da biodiversidade do país.

Logo, o Estado – principal transformador social – deve se utilizar dos seus recursos para proteger a fauna brasileira; tanto aumentando os recursos destinados ao Instituto Brasileiro do Meio ambiente, como também promovendo, em espaços como escolas, o trabalho de organizações-não governamentais que tratam da questão. Espera-se que essas medidas combatam o tráfico e formem uma sociedade consciente da importância da vida silvestre.