O combate ao comércio ilegal de animais silvestres
Enviada em 11/10/2022
O artigo 225 da Constituição de 1988 determina que é dever do Estado garantir a proteção da fauna e da flora brasileira. Ainda que determinado por lei, nota-se que,
anualmente, milhões de animais são retirados de seu habitat e vendidos no país. Nesse cenário preocupante, é válido afirmar que a negligência dos governos em garantir o cumprimento das leis ambientais e o desconhecimento de parte da po-
pulação acerca dos danos causados pelo comércio ilegal de animais silvestres contribuem para a manutenção dessa atividade criminosa no Brasil.
Em primeira instância, é importante destacar que a pouca atuação do Estado fa-
vorece a expansão do tráfico de animais silvestres no país. De acordo com o Minis-
tério do Meio Ambiente, houve uma diminuição de 35% na verba destinada à pro-
teção dos recursos naturais brasileiros em 2021. Em razão de medidas como essa, torna-se mais difícil realizar a contratação de fiscais ambientas e profissionais de segurança pública aptos para lidar com o comércio ilegal de animais no vasto território brasileiro. Consequentemente, graças ao baixo contingente de agentes de defesa do meio ambiente, fica facilitada a retirada de animais de seus habitats e a atuação dos comerciantes se mantém com dificuldade de fiscalização e controle.
Além disso, cabe ressaltar que o desconhecimento de parte da sociedade sobre os prejuízos à natureza causados pelo tráfico de animais contribui para a manuten
ção dessa prática. Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Sil-
vestres, 38 milhões de espécimes são retirados da fauna brasileira anualmente. Esse dado revela que, devido à falta de conhecimento sobre a importância que o animal contrabandeado desempenha em seu ecossistema, milhares de brasileiros insistem em comprar esses animais. Como resultado disso, espécies amplamente traficadas, como a arara-azul, sofrem com o risco de extinção e deixam de desempenhar seu papel ecológico no local que anteriormente habitavam.
Assim, é necessária a tomada de medidas que reduzam o tráfico de animais sil-
vestres no país. Para isso, cabe ao Ministério do Meio Ambiente conscientizar a po-
pulação sobre a importância de não comprar animais ilegais. Essa conscientização deve ser feita por meio de cartazes e murais, a serem fixados em metrôs e pontos de ônibus, a fim de diminuir o comércio ilegítimo de animais silvestres no Brasil.