O combate ao comércio ilegal de animais silvestres

Enviada em 09/11/2022

O filme de animação “Rio” aborda a biopirataria, em que o protagonista Blu, uma ararinha-azul, enfrenta diversos desafios na Cidade Maravilhosa. De modo análogo ao que ocorre no filme, no Brasil real, o tráfico de animais silvestres apresenta-se de forma preocupante e, portanto, faz-se crucial entender como informações escassas e a inépcia do Poder Público se coadunam para promover o impasse.

Sob esse viés, deve-se destacar que o principal fator motivador desse óbice se dá pela ausência de conscientização da população acerca dos desdobramentos de se adquirir um animal contrabandeado. É evidente que, pela Lei da Oferta e da Demanda, só há a manutenção dessa ilegalidade devido à procura pelos animais, o que é inadmissível. Com a prática do tráfico desses animais, pode-se levar à extinção de espécies - o que quase ocorre com a ararinha-azul abordada pelo longa-metragem - e ao desequilíbrio ambiental de todo um bioma.

Ademais, vale evidenciar a incompetência estatal ao que tange à contenção da problemática mostra-se como fator agravante. De acordo com a Constituição Federal, em seu artigo 225, cabe ao Poder Público a preservação do Meio Ambiente, e como é notório, isso não se comprova na realidade. Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, tal atividade ilegal movimenta cerca de 2 bilhões de dólares por ano no Brasil. Evidencia-se, então, que a incúria do Estado arquiteta esse vexatório panorama, ameaçando a maior biodiversidade do planeta.

Urge que o Ministério do Meio Ambiente, destarte, esclareça a população quanto aos problemas em se adquirir animais contrabandeados e informar como realizar denúncias, por intermédio de ampla divulgação midiática em canais de televisão. Outrossim, deve intensificar o monitoramento e busca de quadrilhas do ramo com aumento do número de funcionários do IBAMA através de abertura de concursos públicos. Com tais medidas supracitadas postas em prática, estará o Brasil combatendo, com primazia, o comércio criminoso de animais silvestres.