O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 23/05/2018
Dona Redonda, personagem em Saramandaia, é a mulher gorda que mantém consumo desordenado de alimentos e, conforme dito popular, “explode de tanto comer”. Dos anos 70 para cá, o Brasil passou por diversas transformações no modo de vida da população. Simultaneamente, a sociedade enfrenta um aumento expressivo do sobrepeso e da obesidade, além das constantes intoxicações causadas por agrotóxicos. Nesse contexto, torna-se inequívoco o enfrentamento desse cenário nada satírico, que engorda as estatísticas das pessoas com doenças crônicas relacionadas à má alimentação, ao tempo em que emagrece os recursos já escassos do sistema de saúde.
Em primeiro lugar, o atual panorama da saúde alimentar é um alerta para os governantes. Concomitante ao momento que o Brasil sai do mapa da fome da ONU, o índice de brasileiros com problemas relacionados à obesidade e doenças causadas por agrotóxicos atinge patamares elevados, suscitando das autoridades uma agenda prioritária de combate às causas deste problema. As equivocadas práticas de produção no campo e na indústria levaram o Brasil a merecer o “título” de campeão mundial em uso de agrotóxicos. A despeito das ações positivas do governo para enfrentar os problemas de saúde alimentar, como a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira, a realidade é que o alto valor dos alimentos saudáveis, restringe o acesso de parcela majoritária da sociedade.
Por outro lado, as famílias também têm contribuído para agravar a questão da obesidade e do sobrepeso. A farta disponibilidade de produtos ultraprocessados nos mercados, aliada ao consumo cada vez maior de comidas rápidas e pouco saudáveis, além da divulgação excessiva de propagandas nos meios de comunicação são algumas das causas. Embora uma parcela dos brasileiros esteja cada vez mais consciente da necessidade de uma prática alimentar adequada, o número dos que a desprezam é preocupante. São pessoas adeptas à vida sedentária, aversos a atividades físicas. Não se preocupam com o nível nutricional dos alimentos, negligenciando inclusive os níveis de hidratação.
Portanto, há evidências concretas de que o costume alimentar da população brasileira desloca-se na contramão das boas práticas nutricionais. Nesse sentido, é preciso um engajamento da sociedade civil e das autoridades. Uma possibilidade é a atuação do Ministério do Meio Ambiente, por intermédio do IBAMA e da ANVISA, no sentido de reforçar a fiscalização nos métodos de produção, coibindo o uso indiscriminado de veneno. Escolas incentivem a alimentação saudável às crianças e adolescentes. Os consumidores desencorajem a produção de alimentos processados, optando por produtos naturais, a fim de que a única “explosão” seja nos índices de pesquisa de pessoas saudáveis no Brasil.