O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 21/05/2018
É indubitável a ocorrência mudanças no comportamento alimentar diário da população no Brasil. Tal quadro se intensificou no final do século XX, com a emergência da globalização e das facilidades garantidas pelos avanços técnicos dos recursos empregados no cotidiano.Nesse ínterim, observa-se que a necessidade de praticidade advinda da ocorrência de tais modificações implicou em hábitos alimentares extremamente prejudiciais, responsáveis pelo aumento de 60% da obesidade entre os cidadãos brasileiros nos últimos 10 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Por conseguinte, devem-se analisar os fatores dessa problemática e seus efeitos no contexto atual.
Em primeiro lugar, é necessário analisar a disseminação de ideias inerentes à lógica capitalista ,como “time is money”, que, por serem fatos sociais, assim como propunha o sociólogo Émile Durkheim, exercem coerção sobre as atitudes dos indivíduos. Esses passam a consumir alimentos cujo preparo é mais rápido e, em geral, ricos em substâncias extremamente danosas à saúde humana, como a gordura trans, glicose e glúten, para otimizarem seu tempo . Um exemplo fatídico do exposto é o documentário “Super Size Me: a dieta do palhaço”, o qual evidencia as consequências da alimentação exclusiva de produtos advindos de uma rede de fast -foods durante 30 dias, dentre as quais a perda de vigor físico, elevação da pressão arterial e, inegavelmente, o ganho de peso.
Outrossim, é válido salientar que o avanço das tecnologias está intimamente relacionado à sensação de conforto e, consequentemente, ao abuso de práticas sedentárias.Segundo o filósofo empirista John Locke, o ser humano é como uma tábula rasa, já que sua essência é formada pelas experiências tidas ao longo da vida. Com efeito, vê-se que a adoção de uma alimentação não saudável, aliada ao uso equivocado dos aparatos modernos- como veículos, televisões e celulares- , pode moldar o comportamento do indivíduo, assim como defendia o pensador, gerando certa comodidade e banalização de atividades físicas. Por conseguinte, o bem-estar dessas pessoas fica comprometido em virtude do aparecimento de possíveis doenças decorrentes de tal realidade.
Fica clara, portanto, a necessidade de imediata superação do comportamento alimentar compulsório de parte da população brasileira. Destarte, é dever do Ministério da Saúde, em parceria com a mídia televisiva, ampliar a divulgação de campanhas publicitárias de conscientização. Essa medida, que deve ocorrer por meio de propagandas que contem com a presença de médicos e nutricionistas, visa alertar a população sobre os malefícios da alimentação inadequada, bem como apresentar dicas de hábitos saudáveis. Desse modo, a obesidade e outras doenças advindas desse quadro alarmante na sociedade brasileira serão suplantadas.