O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 27/05/2018

Uma das características mais marcantes do Brasil é a miscigenação, perceptível pela diversidade de culturas, crenças e inclusive, de alimentos cultivados, os quais denotam a riqueza do país. No entanto, a despeito da variedade de gêneros alimentícios, verifica-se a baixa qualidade alimentar brasileira. Esse fenômeno pode ser explicado, principalmente, por dois fatores: os alimentos comercializados internamente são apenas aqueles considerados impróprios para exportação; e a corrupção que permeia o ramo alimentício.

No que tange à qualidade dos alimentos vendidos aos brasileiros, essa não é das melhores pois, em virtude de a economia basear-se na agroexportação, a prioridade é o comércio externo, para o qual  seguem os produtos considerados bons. Nesse sentido, os alimentos que permanecem no Brasil são aqueles recusados por importadores por não estarem nos padrões desejáveis. Esse fato, inclusive, serviu de base para o Manifesto Pau-Brasil, da primeira geração do modernismo brasileiro, o qual previa uma arte “tipo exportação”.

Quanto ao impacto da corrupção no comportamento alimentar brasileiro, ele deriva de o ramo alimentício no Brasil ser dominado por grandes empresas, cujos donos possuem influência política. Ocorre que essa relação de proximidade com as atividades políticas do país permite a essas empresas maior facilidade de burlar o controle de  qualidade dos alimentos, como feito pela JBS, desmascarada pela operação “Carne Fraca”.

Em suma, apesar da diversidade de alimentos produzidos no Brasil, a exportação e a corrupção fazem com que o brasileiro seja de baixa qualidade. Dessa forma, concerne à Anvisa realizar maior controle dos alimentos vendidos dentro do país, a fim de garantir serem esses tão bons quanto os exportados, por meio da intensificação de inspeções-surpresa nas distribuidoras. Ademais, assiste ao Ministério Público promover mais investigações com uso da tecnologia, de modo a combater a corrupção.