O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 26/05/2018

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 60% dos brasileiros já foram atingidos pela epidemia de obesidade. Por outro lado, a pobreza reduziu proporcionalmente à porcentagem referida. Tais dados evidenciam que o problema da má alimentação na nação, em boa parte dos casos, não está ligado à falta de recursos, mas à série de fatores, que incluem tanto o péssimo cuidado na produção e armazenamento dos produtos alimentícios, quanto a difusão de uma cultura típica da era pós-moderna que propicia tal displicência alimentar.

O filme Nação Fast Food retrata o repugnante modo de produção da carne dos sanduíches de uma grande lanchonete. Fora da ficção, casos como esse são assíduos no Brasil, prova disso é que, embora a população busque a reeducação alimentar, ainda assim, não se pode confiar nem mesmo em produtos de origem natural, como a carne e os vegetais. Essa fatídica realidade se deve ao fato de que, cada vez mais, utiliza-se da modificação genética nos alimentos com a finalidade de aumentar o lucro das grandes empresas, sem sequer pensar na qualidade de vida das pessoas. Sabe-se, ainda, que atitudes como essa, de acordo com a comunidade científica Projeto Genoma, podem gerar não apenas simples alergias, como também podem ocasionar o câncer e, consequentemente, a morte de muitos.

Outrossim, destaca-se certos hábitos do consumidor brasileiro como impulsionadores do problema. Em primeira instância, além da escassez de tempo que a população tem para evitar os fast foods, percebe-se que a geração atual pouco se preocupa com o equilíbrio comportamental - o qual se aplica também à esfera alimentar - aclamado por Aristóteles. Tal desequilíbrio se manifesta quando os indivíduos ignoram o prejuízo que pode ser causado à sua própria saúde, preferindo aderir aos apelos midiáticos que propagam enfaticamente o consumo de comidas industrializadas, em detrimento da alerta no que tange aos hábitos alimentares saudáveis, o que contribui fortemente para a permanência do caos da obesidade, doenças cardiovasculares e muitos outros males.

Para que esse caos seja solucionado, faz-se imprescindível, portanto, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) exija mais de seus funcionários e gratifique-os financeiramente conforme o seu desempenho e engajamento na fiscalização de empresas que lidam com alimentos. É indispensável, ainda, que o Ministério da Saúde (MS), o Instituto de Defesa do consumidor e o Ministério das Comunicações promovam palestras online e presenciais instruindo até os mais pobres ou ocupados a encontrarem tempo e recursos para se alimentarem melhor. Tais órgãos devem também estabelecer um limite para a quantidade de propagandas de produtos alimentícios maléficos, inserindo nas propagandas o Guia Alimentar do MS e alertas sobre as substâncias contidas em cada refeição.