O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 01/11/2018

Nos últimos cinquenta anos, o Brasil passou por uma metamorfose no plano alimentar. A população saiu de um estado de subnutrição para um quadro de má alimentação. Isso ocorreu porque, em um primeiro momento, havia ausência de alimento (ou precário acesso aos produtos comestíveis). Posteriormente, embora tenha havido a revolução verde, o perfil alimentar do brasileiro se alterou, porém, não melhorou, afinal, a população passou a consumir produtos de baixa ou péssima qualidade.

Com efeito, essa realidade é exposta no documentário “Muito Além do Peso” que demonstra que crianças com menos de 10 anos de idade consomem bolachas, refrigerantes e produtos industrializados (ricos em sódio ou açúcar), deixando de comer frutas e verduras frescas, o que lhes proporciona, reflexamente, a aquisição de peso e de doenças crônicas em tenra idade, como, por exemplo, obesidade, hipertensão ou diabetes.

Por outro lado, não bastasse o descaso com nossas crianças, existe uma lógica de mercado que produz, processa e transporta os alimentos sem cuidados mínimos de saúde pública. Por exemplo: segundo a Anvisa, grande parte das nossas frutas e verduras apresentam resíduos de agrotóxicos além do permitido, o que foi verificado em 91% das amostras no pimentão, 63% dos morangos e outros. Recentemente também a Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, a qual, apesar de pontual, mostrou irregularidades na cadeia de consumo da carne.

Assim, com a finalidade de praticar as idéias do cozinheiro inglês Jamie Oliver (ativista da boa alimentação), seria de bom alvedrio que o Governo Federal, através do Ministério da Educação, contratasse nutricionistas que pudessem ministrar educação alimentar nas escolas (orientando sobre as diretrizes de alimentação saudável, escolha de alimentos, formas de preparo e cuidados higiênicos). Nesse caso, portanto, a médio e longo prazo, a população estaria esclarecida sobre o assunto e iríamos reduzir problemas de saúde pública da má alimentação, pois, parafraseando Kant, o ser humano é exatamente o que a educação fez dele.