O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 16/07/2018
Segundo a OMS, a indicação mínima de ingestão diária de frutas, legumes e verduras é de 400 gramas, porém, apenas 20% dos brasileiros segue essa recomendação. Evidencia-se, portanto, que o comportamento alimentar nacional é incompatível com um estilo de vida saudável e figura como uma potencial problemática de Saúde Pública. Embora trate-se de um problema cuja responsabilidade é do indivíduo, fatores como a persistência de uma indústria alimentícia tóxica e a desconscientização acerca dos hábitos saudáveis fundamentais são agravantes.
Em primeira análise, de acordo com o doutor Dráuzio Varela, o Brasil está diante de uma epidemia de obesidade e conta com 52% da população adulta em sobrepeso. Tal realidade está intimamente relacionada com a qualidade do que está sendo ingerido, ou seja, o aumento da inserção de ultraprocessados, produtos ricos em sal e açúcar na dieta do brasileiro tem dado tônica para um seguimento tóxico da indústria alimentícia. Além disso, esses alimentos muitas vezes também estão associados à interrupção de enzimas que previnem o câncer e podem acelerar processos de diabetes, obesidade e hipertensão. Dessa forma, diante do sucesso da indústria e do consumo desses produtos, não é só a obesidade será tida como epidêmica.
Outro fator adensador dessa questão é a forma desconscientizadora como a saúde é tratada no Brasil. Segundo o SUS, “a saúde é direito de todos e dever do Estado”, ou seja, de certa forma, negligencia a responsabilidade que o cidadão tem sobre a própria saúde, mais especificamente sobre as consequências de sua atitude alimentar. Assim, de 2010 a 2016, o governo gastou 233 milhões de reais em cirurgias bariátricas, entretanto, com um valor menor, campanhas e projetos de estimulação à adoção de hábitos alimentares saudáveis, poderiam surtir um efeito mais consistente e impactante, principalmente sobre os mais jovens.
Destacam-se, por conseguinte, imbróglios associados ao mau comportamento alimentar brasileiro, postura nociva que pode desencadear uma série de doenças. A fim de reduzir a disponibilidade de produtos danosos nas prateleiras, o Governo Federal e a Anvisa devem fazer um levantamento nutricional do que é vendido e listar os produtos maléficos pelo excesso de açúcar, sal, acidulantes e elementos tóxicos. A partir disso, esses alimentos devem ser altamente taxados e, com isso, a indústria será estimulada a corrigir os índices de insalubridade de seus produtos. Além disso, a sociedade deve assumir uma postura consciente quanto à saúde, por meio da adesão de posturas saudáveis, priorização de alimentos naturais e o resgate do hábito de cozinhar a própria comida. Desse modo, além de contar com uma nutrição mais saborosa, o cidadão poderá se prevenir de enfermidades.