O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 21/08/2018
Segundo a teoria funcionalista do antropólogo polonês Malinowviski, existe uma relação intrínseca entre a cultura de um povo e sua alimentação. Partindo disso, é bem verdade que o comportamento alimentar brasileiro é resultado direto dos processos socioculturais vivenciados ao longo da construção identitária da nação. Além disso, é válido destacar que o padrão alimentar hodierno é refletido na atual insegurança alimentícia, que ocorre através da utilização de agrotóxicos e biofertilizantes amplamente utilizados na produção agrícola, acarretando no substancial prejuízo da saúde coletiva nacional.
Dessa maneira, historicamente, percebe-se que a alimentação brasileira foi baseada nos principais produtos dos ciclos econômicos agrícolas que acompanharam o desenvolvimento antropológico da sociedade. Exemplificando isso, observa-se a sociedade açucareira do século XVII, que baseava sua produção alimentícia visando exclusivamente o lucro em oposição ao seu valor nutritivo. Analogamente, o padrão alimentar da contemporaneidade acompanha a dinâmica de uma população centrada na máxima velocidade impressa pela vida cotidiana, com escassez de tempo, enquanto não há uma uma preocupação maior com a origem e qualidade dos produtos consumidos.
Sendo assim, urge a necessidade do debate sobre a inseguridade alimentar vivenciada. Uma vez que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o uso de agrotóxicos no Brasil cresceu cerca de 115% na última década. Dessa forma, é conveniente salientar que o uso de alimentos modificados biologicamente pode originar diversas patologias, como câncer, infertilidade, doenças renais e neurológicas. Logo, é imperativo que haja uma fiscalização estatal efetiva no setor primário, assim como, é de fundamental relevância que os efeitos do uso indiscriminado desses fertilizantes venham ao conhecimento coletivo.
Diante dos argumentos supracitados, é primordial que o Governo, por meio do Ministério da Agricultura, invista em uma fiscalização mais efetiva do teor de substâncias tóxicas na agroindústria. Nesse sentido, tal medida ocorreria através da abertura de concursos federais para que haja o aumento de pessoas que trabalhem no setor de vigilância, com o fito de realizarem a atividade especializada de vistoria em todo o território brasilense. Ademais deve haver a fixação de multas tributárias com isenção de recursos para estabelecimentos que produzem e comercializam alimentos geneticamente modificados. Nesse aspecto, o rendimento de tal arrecadação deve ser direcionado para a divulgação dos malefícios causados por agrotóxicos em jornais, revistas e redes sociais oficiais do Estado. Enfim, tais medidas terão a finalidade de levar ao conhecimento público as consequências do consumo de uma alimentação desequilibrada, fomentando a saúde da nação brasileira.