O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 03/10/2018
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A aparência mais “gordinha”, exaltada pela arte clássica greco-romana e retomada durante o Renascimento por estar associada a um status de riqueza, é vista, no século XXI, como fruto de preocupações. O sobrepeso é apenas uma das questões negativas relacionadas ao problemático hábito alimentar brasilero. Sob essa perspectiva, é válido abordar a frequente alimentação incorreta nacional por meio de uma ótica dicotômica : a preocupação reduzida e a excessiva acerca do que comer.
Primeiramente, cabe dizer que muitas pessoas são reféns de um hedonismo exacerbado quando o assunto é comida. Essa análise pode ser corroborada por meio da comum associação de alimentos ricos em carboidratos, sal ou gordura ao sentimento de recompensa, após um dia intenso de trabalho ou estudos. Dessa forma, tomados por uma valorização inconsequente do prazer, digna de uma interpretação Epicurista às avessas, muitos indivíduos buscam a satisfação, repetidamente, em conteúdos de baixa qualidade nutricional.
Além da negligência diante dos malefícios à saúde gerados pelo que é ingerido, é importante considerar, também, o impacto do cenário oposto: o excesso de preocupação. Essa temática é tão preocupante que recebeu de Sophie Deram, doutora em endocrinologia pela Universidade de São Paulo, o nome de “terrorismo nutricional”. Este se refere à prática de eliminar da alimentação alguns grupos nutricionais essenciais tidos, popularmente, como grandes vilões, a exemplo de carboidratros e lipídios. Em um estágio mais avançado, esse hábito chega a constituir uma doença, chamada pelo médico norte-americano Steven Bratman de Ortorexia. Desse modo, assim como a falta de cuidado alimentar traz doenças, como a diabetes, o contexto oposto também gera suas carências nutricionais.
Fica claro, portanto, que o comportamento alimentar brasileiro, como um todo, pode ser visto como incorreto, tanto por falta quanto por excesso de preocupações. Para tentar reverter esse quadro, é fundamental a parceria do Ministério da Saúde com a mídia televisiva. Aquele pode iniciar um projeto que envolve ciclos de grandes eventos nutricionais, em finais de semana, nas capitais do país, e o papel desta seria divulgar amplamente esses eventos entre suas progrmações. Nos ditos eventos, além de palestras de conscientização acerca dos malefícios de uma alimentação irregular, devem ser promovidas aulas de culinária voltadas para um cardápio mais saudável e disponibilização de cartilhas auxiliadoras. Assim, será possível atingir a mediania aristotélica na alimentação, ou seja, sem carências ou excessos de preocupação.