O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 15/10/2018
A alimentação saudável, principalmente em idade de crescimento e maturação biológica, constitui fato indissociável ao pleno desenvolvimento humano. Na atual conjuntura brasileira, entretanto, no que tange os hábitos alimentares da sociedade, é notório não só o cultivo de comportamentos nocivos à saúde- materializados no consumo constante de alimentos altamente calóricos e associado à falta de tempo para uma alimentação saudável-, como também a perpetuação dessa problemática dos pais para os filhos.
Sob um prisma inicial, a mentalidade capitalista pós-moderna pautada na exploração do trabalho mostra-se um ambienta abrasivo aos indivíduos por ela norteados. Com a hegemonia do capital, é inegável a maior cobrança por produtividade e, consequentemente, um aumento nas jornadas de trabalho. Dessa forma, o tempo destinado à alimentação do trabalhador é encurtado, fazendo com que este, por sua vez, opte cada vez mais por alimentos industrializados e “fast-foods” por serem refeições rápidas e práticas. Por conseguinte, a saúde desses cidadão é afetada, visto que de acordo com o Ministério da Saúde, mais de 54% da população brasileira encontra-se com excesso de peso. Nesse sentido, a abrasiva da doutrina do “tempo é dinheiro” influi diretamente no comportamento dos cidadãos, na medida em que restringe,infelizmente,seu acesso à alimentação saudável.
Outrossim, a má alimentação pode ser perpetuada de geração para geração. Segundo Émile Durkheim, o fato social refere-se à forma de agir e pensar que é exteriorizada pela sociedade. Observa-se , ao seguir esse raciocínio, que os maus hábitos alimentares podem se encaixar na teoria do sociólogo, na medida em que os mais novos tendem a incorporar esse comportamento nocivo dos adultos. Sendo assim é inadmissível a postura das famílias e também do Poder Público que se mostram inertes em relação aos alimentos consumidos pelas crianças e as consequências desse comportamento no futuro.
Fica claro, portanto, que medidas governamentais mais eficazes são necessárias para sanar o problema em questão. Urge que o Governo Federal, por meio do envio de recursos ao Ministério da Saúde, promova um projeto público para ser desenvolvido nas escolas- local de formação educacional e cidadã de crianças e jovens- a respeito da importância de uma alimentação saudável para o desenvolvimento pleno do indivíduo, com palestras e rodas de conversa ministradas por profissionais da área de saúde, além inclusão dos pais nesses debates. Espera-se, com isso, que ocorra uma gradativa mudança nos hábitos alimentares da população brasileira e, futuramente, uma redução nos casos de sobrepeso.