O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 06/01/2019

Quando se fala em alimentação, o Brasil vive um sério paradoxo: ao passo que o país conseguiu sair do Mapa da Fome, em 2014, atualmente apresenta aumentos significativos no índice de obesidade. Essa realidade está associada, sobretudo, à mudança no comportamento alimentar de grande parte dos brasileiros- que se deu em razão da nova dinâmica acelerada da vida moderna, juntamente ao crescimento da indústria alimentícia e seu grande poder de influência. Diante disso, faz necessária a análise desse novo panorama, bem como os malefícios que ele pode trazer para sociedade.

Primeiramente, cabe pontuar que vida acelerada- imposta pelo mundo moderno- tem influído diretamente no desenvolvimento dos maus hábitos alimentares pela população. Segundo o antropólogo Claude Lévi-Straus, a cozinha de uma sociedade é a linguagem na qual ela traduz, inconscientemente, sua estrutura. Tal preceito fica evidente no processo de transição brasileira- de sociedade rural à urbana- que acarretou numa drástica mudança na forma de se alimentar de grande parte da população. As pessoas, cada vez menos tem preparado a própria comida, recorrendo a alimentos ultra  processados e aos famosos “fast foods”, os quais são pobres em nutrientes e ricos em gorduras, açúcar e sódio- que são responsáveis por doenças, como a obesidade e o diabetes.

Outrossim, é válido salientar o grande destaque que a indústria alimentícia ganhou no âmbito social e econômico, com diversas empresas do ramo instalando filiais no país - como foi o caso do Mcdonald’s e do Burguer King. Todas essas corporações  investem estrategicamente em publicidade e propagandas, a fim de divulgar seus produtos e atingir um público alvo que tem pouco conhecimento sobre educação alimentar, o qual abarca principalmente as crianças. Além disso, o lobby da industria de alimentos nos países da America latina é aterrador, havendo influência destas sobre políticas públicas que visam regular ou restringir a venda de seus produtos. Em vista disso, é mister que a educação alimentar seja difundida, afim de que a pessoas façam melhores escolhas na hora de comprar os alimentos.

Destarte, é mister que as escolas desenvolvam programas de orientação nutricional - o que deve ser feito com a participação dos familiares dos alunos e  com acompanhamento de nutricionistas - com o fito de desenvolver, desde muito cedo, a criticidade na hora de se alimentar. Ademais, cabe ao Governo Federal, juntamente a órgãos internacionais, tomar medidas que busquem coibir o lobby das industrias de alimentos no país, reduzindo o poder de influência dessas, com objetivo de desenvolver políticas de regulamentação da publicidade voltada aos alimentos industrializados, e criar meios de restrição a alimentos potencialmente prejudiciais à saúde dos consumidores.