O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 24/10/2018

“Eu acredito que podemos mudar o mundo através da alimentação”.De acordo com a ideia da nutricionista Bela Gil, o comportamento alimentar é imprescindível para que os parâmetros atuais, representados pelo sedentarismo e a obesidade, sejam superados.Contrariando tal pensamento, a sociedade brasileira reflete diversas consequências da má alimentação, como doenças crônicas.Nesse sentido, fatores como o ritmo hiperveloz da população e a ausência de uma educação alimentar não podem ser negligenciados.

Em primeiro plano, é possível observar que o cotidiano da população está cada vez mais acelerado, no qual a eficiência temporal e produtiva torna-se prioridade e ultrapassa os cuidados com o comportamento alimentar.De acordo com a ideia de modernidade líquida, do sociólogo Zygmunt Bauman, o processo de conquistas efêmeras, dentro da perspectiva moderna, revela-se mais importante que o anseio por qualidade de vida no futuro.Sob essa conjectura, os indivíduos recorrem aos fast-foods pela sua praticidade, sem considerar a falta de nutrientes dos alimentos ultraprocessados, fato que agrava a obesidade.

Concomitantemente a essa questão comportamental, quando o renomado educador Paulo Freire afirma que sem a educação a sociedade não muda, corrobora-se a necessidade de eixos como a qualidade da alimentação serem desenvolvidos no ensino básico.De maneira oposta, a ausência de instrução alimentar somada ao apelo midiático, decorrente de propagandas, resulta na obesidade, do mesmo modo que doenças crônicas, como por exemplo, hipertensão e diabetes.Segundo o Ministério da Saúde, o excesso de peso atinge mais de 50% da população, o que demonstra a importância de adoção de medidas que amenizem o cenário desafiador.

Em suma, torna-se evidente que o comportamento alimentar brasileiro enfrenta entraves que precisam ser superados.Assim, o Ministério da Educação, por meio de debates  e palestras com nutricionistas e professores de biologia, deve elucidar a necessidade de planejar o tempo destinado as refeições, além de impulsionar o senso crítico voltado para as propagandas, com exemplos simples para adequar ao dia a dia da população e com alimentos acessíveis para todos, objetivando a qualidade de vida sem interromper os deveres dos indivíduos.Ademais, o Ministério da Saúde, por intermédio de visitas periódicas de educadores físicos e médicos, deve estimular a prática de atividades físicas e a importância de hábitos saudáveis, a fim de combater a obesidade desde a sua base.Assim, será possível enxergar na alimentação um fator de mudança no contexto de liquidez moderna.