O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 26/10/2018
A alimentação é permeada por diversos signos, desde o âmbito sociocultural e histórico, na caracterização da identidade de grupos e comunidades, até o âmbito das experiências pessoais, que abarcam dimensões simbólicas de representação do comportamento alimentar. A priori, o processo de urbanização provocou mudanças expressivas na influência desses fatores sob o conceito alimentação, haja vista que os indivíduos possuem cada vez menos tempo hábil para realizarem suas refeições e escolherem os itens que farão parte de seu cardápio. Doravante, o comportamento alimentar brasileiro é marcado pelos extremos do consumo excessivo de alimentos e da desigualdade no acesso, que fomentam a existência de um paralelismo entre a obesidade e a miséria.
Consoante a isso, o Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, criaram um aparato técnico para a realização de estudos e de pesquisas alimentares acerca da população no país, por meio da apreensão e análise quinquenal de dados, que são sintetizados na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). Por conseguinte, a primeira edição da PNS, em 2013, evidenciou que os brasileiros consomem alimentos mais gordurosos e ultraprocessados, em confluência com baixos índices globais da prática de atividades físicas regulares, bem como dos altos percentuais de tabagistas e etilistas que compõem o tecido social.
Além disso, segundo a pesquisa, mais de 20% da população brasileira afirma consumir doces e refrigerantes regularmente - pelo menos cinco dias na semana. A despeito disso, a celeridade das rotinas provocou um superávit de consumo dos “fast foods” e da alimentação fora do domicílio. A posteriori, a Revolução Verde foi o palco da superprodução de alimentos, sobretudo da injeção de agrotóxicos e avanço da biotecnologia, que transformou os alimentos in natura em produtos industriais, visando o excedente de produção para a exportação e a consequente rentabilidade econômica. Não obstante, o Brasil que saiu do Mapa da Fome da ONU, em 2014, pode ser o mesmo que retornará após aumentos sucessivos da insegurança alimentar e da miséria, registrados desde 2016.
Em síntese, é necessário que o Ministério da Saúde promova ações efetivas para a difusão de informações acerca dos itens necessários para uma alimentação saudável, em coalizão com a popularização de alimentos in natura na merenda escolar das escolas públicas, por meio da destinação de recursos para as Prefeituras Municipais e de ações coletivas de educação e conscientização da população, realizadas pelo Ministério da Cultura. Além disso, é preciso que os Centros de Referência de Assistência Social, CRAS, identifiquem e captem as famílias em situação de insegurança alimentar, visando a oferta de alimentos e atendimento nutricional e médico, para coibir a miséria e a desnutrição.