O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 23/08/2019

Sabe-se que, no Brasil, há uma imensa diversidade cultural devido a aspectos históricos relacionados à vinda de milhões de imigrantes. Essa miscigenação pode ser percebida, principalmente, nos pratos típicos regionais do país, que possuem ingredientes variados e saudáveis. Entretanto, com o avanço do capitalismo –produzir muito em pouco tempo– o comportamento alimentar brasileiro alterou-se, dando espaço às comidas rápidas. Desse modo, cabe analisar essa mudança na sociedade, que está relacionada ao desenvolvimento de novas técnicas na agropecuária e na indústria de ultraprocessados.

Diante desse panorama, primeiramente, vê-se que o estilo de vida consumista e acelerado promovido pela era dos industrializados trouxe ao mercado alimentos prontos para o consumo do indivíduo. Exemplos disso são os “fast foods”, enlatados e congelados que estão à mercê da população que não quer “perder tempo”. Todavia, parafraseando o filósofo Schopenhauer, o homem só se importa com aquilo que está em seu campo de visão, portanto, não imagina as consequências de uma alimentação baseada em ultraprocessados a longo prazo. Essa má alimentação, junto ao sedentarismo promovido pelas tecnologias, trouxe à tona diversas doenças, como hipertensão e diabetes, que estão atacando os jovens cada vez mais cedo, e pouco é feito para reverter o caso, visto que esse tipo de consumo alimentar é amplamente divulgado. Dessa maneira, é notório que a problemática permanecerá se não houver mudanças na visão do brasileiro sobre a mesma.

Outrossim, mesmo que o indivíduo queira mudar seus hábitos alimentares, frutas e legumes estão sendo bombardeados por agrotóxicos a anos. Na Revolução Verde, os países desenvolvidos aprimoraram a tecnologia agrícola daqueles de terceiro mundo, introduzindo fertilizantes, sementes transgênicas e antibióticos para animais, tudo isso visando o aumento da produção. Entrementes, apesar do objetivo ter sido alcançado, atualmente há um uso abusivo dessa tecnologia, que já foi comprovado pela Anvisa que pode causar danos à saúde, como o câncer, pela utilização de toxinas em excesso. Logo, observa-se uma defasagem do Estado, que contribui para a utilização dos agrotóxicos, sem pensar no bem da sociedade.

Destarte, faz-se mister buscar medidas para melhorar o comportamento alimentar brasileiro. Primeiramente, o Ministério da Saúde deve, juntamente ao Ministério da Agricultura, por meio de fiscalizações periódicas em áreas nas quais o agronegócio utiliza para o gado e plantações, garantir que haja limites no uso dos agentes químicos e aumento da produção dos orgânicos, para que não prejudique ainda mais a saúde pública. Ademais, campanhas midiáticas promovidas pelo MS devem alertar a população sobre o consumo em massa de industrializados e agrotóxicos, apontando seus malefícios. Dessa maneira, será possível construir um Brasil mais saudável para a sociedade.