O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 19/09/2019
Com a chegada da Revolução Industrial, a partir do século XVIII, a sociedade se viu diante de diversas mudanças, entre elas o comportamento alimentar. Nesse sentido, o aumento das horas de trabalho e a precariedade de tempo livre levaram à criação de alimentos ultraprocessados, enquanto o avanço na agricultura e a busca por melhores resultados na produção sucederam no excessivo uso de agrotóxicos.
De fato, a relação do homem com o ato de cozinhar teve início nos primórdios da humanidade e é de suma importância até os dias atuais, é o que mostra a série documental “Cooked”, produzida pela Netflix. Contudo, como retratado no seriado, esse hábito vem sendo substituído por “fast-foods” e ultraprocessados, por esses apresentarem praticidade e - o mais importante - rapidez no preparo. Nesse viés, diante do contexto capitalista, a busca pelo que é mais veloz se tornou incessante, o ditado popular “tempo é dinheiro” faz a sociedade se prostrar frente à um cenário que não permite o cuidado com a saúde e alimentação saudável se essas não forem sinônimos de velocidade.
Entretanto, não apenas as comidas rápidas trazem prejuízos para a população, assim também acontece com grande parte dos alimentos advindos da agropecuária, devido ao uso de agrotóxicos. Obliquamente, de acordo com dados publicados pelo IBGE, em 2008 o Brasil se tornou o maior consumidor de defensivos agrícolas no mundo. Atrelado a isso, estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo mostraram que grande parte desses trazem diversos malefícios a saúde quando consumidos continuamente e em excesso. Desse modo, mesmo na busca por uma dieta benéfica, o cidadão se vê cercado de questões problemáticas no que diz respeito aos alimentos, sendo crucial dar maior atenção ao que consome.
Assim, cabe ao Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Agricultura, fiscalizar com mais rigidez o uso de agrotóxicos, por meio da criação de um Calendário de Visita ao Plantio, pelo qual especialistas, ao revistarem as fazendas, controlarão o uso desses defensivos nas maiores plantações do país. Ademais, os órgãos midiáticos devem divulgar a importância da alimentação saudável e os males dos embutidos, por meio de publicações em redes sociais e propagandas de televisão. Pois, só com isso as pessoas entenderão a necessidade de cozinhar para si mesmas, com a cautela necessária, como proposto pelo documentário “Cooked”, e deixarão de fazer mal a si mesmas, como defende o filósofo Thomas Hobbes.