O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 19/09/2019

‘‘Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que vendo, não veem. O excerto do livro  ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago, critica uma sociedade invisual ao seu contexto. Analogamente, tal obra ilustra o cenário contemporâneo, visto que o corpo social é inobservante sobre o comportamento alimentar brasileiro, fruto da negligência governamental e de estruturas comportamentais.

A princípio, o descaso estatal é fator determinante na persistência do quadro vigente. Nesse sentido, Rosseau afirma o papel do Estado em garantias sociais, contudo a prática deturpa a teoria. Outrossim, isso se evidencia no frágil investimento em educação alimentar nas escolas, medidas que estimulariam hábitos saudáveis nos alunos, e devido à falta de subsídios, isso não acontece. Dessa forma, é inadmissível que, com altas taxas de impostos cobrados no país, o Poder Público não promova um aprendizado esclarecedor a respeito do bem-estar da população.

Não obstante, fatores socioeconômicos contribui na invisibilidade da questão. Mormente, isso decorre da rotina hiperveloz, na qual os brasileiros consomem alimentos industrializados em excesso. Ademais, a sociedade, então, por tender a incorporar as estruturas sociais nas quais são impostas à sua realidade, conforme o sociólogo Bordieu, naturalizou e reproduziu tal postura ao longo do tempo. Sendo assim, é inaceitável que, com o crescente índice de transgênicos e agrotóxicos presentes em grande parte dos alimentos, os cidadãos não se preocupem em manter refeições nutritivas regularmente.

Torna-se evidente, portanto, que o impasse necessita de maior notabilidade. Logo, o Tribunal de Contas da União deve direcionar capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em plano de educação alimentar para crianças e jovens. Essa ação terá aulas de culinária e plantio de horta, administradas por professores de ciências, a fim de estimular no estudante, o cuidado com a saúde. Dessa forma, como proferiu Saramago ‘‘Se podes olhar, vê. Se podes vê, repara.’’