O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 24/10/2019

Segundo um programa da Anvisa, mais de 50% do alface produzido no Brasil provavelmente contém resíduos de agrotóxicos proibidos ou resíduos em excesso. Além disso, a recente Operação Carne Fraca da Polícia Federal revelou manipulação por parte da indústria de carne para ocultar o estado perigoso para consumo ou mesmo carcinogênico de certas peças de carne. Estes exemplos são sintomas do problema que é a ignorância dos brasileiros sobre o conteúdo e procedência de sua comida, o que implica um grave risco à saúde pública e demanda análise adicional desta problemática.

De início, convém apontar que o uso de agrotóxicos é ubíquo na agricultura atual, já que eles são de grande utilidade contra pestes animais e vegetais, dentre outros fatores que podem vir a ameaçar operações agrícolas. Porém, como é o caso hoje, a sobreexposição de plantas a eles acaba contaminando-as e seu consumo pode, então, causar dores de cabeça e alergias, ou mesmo danos ao sistema nervoso e câncer.

Dessa forma, especialmente considerando que as referidas as pestes podem vir a desenvolver resistência e tolerância aos produtos em questão, o uso deles em excesso qualifica uma grave ameaça o bem-estar do consumidor brasileiro. Ademais, esse bem-estar também está sob ataque voluntário de uma comparativamente pequena parcela da indústria de carnes, a qual, como apontado pela Operação Carne Fraca, abandonou seu compromisso com a qualidade e segurança de seus produtos a fim de buscar maiores lucros e empregar atalhos na produção. Uma vez provado que entidades desse setor priorizaram a ganância a tal ponto, emergem dúvidas e suspeitas acerca do setor como um todo, as quais devem se traduzir para ações preventivas.

Portanto, evidencia-se o imperativo de que medidas sejam tomadas para remediar este quadro. Para tal, o Governo deve tornar obrigatória a emissão, junto a lotes de produtos agrícolas, de dados a respeito da quantidade, tipo e datas de uso de agrotóxicos sobre os produtos de cada respectivo lote, o que tornaria facilmente acessível a distribuidores e consumidores as informações necessárias para determinar a comestibilidade de seus alimentos. Junto a essa iniciativa, o Poder Público também deve consultar experts independentes da indústria de carnes e solicitar sua assistência na elaboração de novas regulamentações e rotinas de inspeção para prevenir o supracitado tipo de fraude e minimizar os riscos à saúde pública advindos dele.