O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 10/06/2020

O território brasileiro é privilegiado quanto à disponibilidade de terras e condições climáticas favoráveis à atividade agropecuária. No entanto, milhões de cidadãos vivem condenados à fome em decorrência da desigualdade social. Em contrapartida, na era da Terceira Revolução Industrial, há grande demanda temporal aos assuntos profissionais e financeiros em detrimento aos aspectos físicos e psicossociais. Ao passo que, a alimentação saudável não configura uma prioridade no cenário nacional surge, portanto, outro problema de saúde pública: a obesidade.

Primeiramente, a alimentação é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal, entretanto, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2019, estimava-se que nove milhões de pessoas encontravam-se em situação de subalimentação no país. É fato que muitas crianças e adolescentes veem na frequência escolar uma oportunidade para obter comida e não apenas, a busca de instrução educacional.

Por outro lado, muitos indivíduos realizam suas principais refeições longe de seus domicílios devido residirem em locais distantes do trabalho. Logo, esses adquirem produtos alimentícios com preparo rápido e rara preocupação nutricional. Do mesmo modo, agem os responsáveis no momento da escolha do lanche dos menores, sendo condicionados ao fator da facilidade. Ademais, em conformidade com os pensadores Adorno e Horkheimer, a mídia influencia os indivíduos para elevar os resultados mercadológicos. Nesse sentido, incentivam o consumo desenfreado de itens inadequados à saúde, como por exemplo, a ingestão excessiva de carboidratos e gorduras. A obesidade é agravada ainda pela ausência de atividade física, sendo 47% da população brasileira sedentária, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2016. Tais comportamentos são os principais motivos de doenças crônicas, tais como: Diabetes Mellitus, Hipertensão Arterial Sistêmica e a Hipercolesterolemia.

Por isso, é fundamental modificar o comportamento nacional. Deve-se ampliar a promoção da saúde nas unidades básicas de saúde (UBSs) e programas de saúde da família (PSF) com a formação de grupos sobre alimentação saudável incluindo o profissional nutricionista na equipe básica. As secretarias municipais e estaduais de educação, devem ofertar na merenda escolar alimentos nutritivos para conscientizar a mudança de hábito alimentar e promover o bom desenvolvimento do aluno. O corpo deve ainda ser posto em movimento nas praças e ciclovias, pois o próprio Aristóteles enfatizou a ideia de que felicidade e saúde dependem da ocupação do ser.