O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 11/07/2020
Publicada pelo ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos o direto à saúde e ao bem-estar social. No entanto, quando se analisa a falta de transparência presente na indústria alimentícia brasileira, esse conceito não se mostra válido. Nessa perspectiva, é necessário analisar alguns impactos que tamanha carência de informações pode trazer ao consumidor.
Em princípio, se faz necessário à menção à “Operação Carne Fraca”, realizada em Março de 2017 e registrada com detalhes pelo site O Globo, onde mais de quarenta empresas produtoras de carne no país foram fiscalizadas. Em seguida, divulgaram-se dados alarmantes sobre os processos adotados por tais indústrias, que incluíam desde alimentos com a data de validade expirada até substâncias consideradas prejudiciais à saúde, todos presentes nesse, que é o alimento diário da maioria dos cidadãos. Dentro dessa realidade, é inadmissível que a fiscalização dessas empresas não seja mais constante e rigorosa. Ademais, não se podem ignorar também os impactos ecológicos da produção de carne.
Como mostrado no documentário “Cowspiracy”, de 2014, a indústria alimentícia é uma das que mais polui o meio ambiente, em especial quando se trata de um alimento consumido de forma tão desenfreada pela população, como é o caso da carne. Além disso, de acordo com a obra, não é amplamente divulgado ao público os impactos ambientais desse consumo, de modo que a situação tende a perdurar. Logo, é de suma importância que seja estabelecido um maior diálogo acerca do assunto.
Em virtude do que foi mencionada, é certo que a situação não pode perdurar. Cabe ao Ministério da Agricultura, em parceria ao Ministério da Saúde, por meio da aprovação de um projeto de lei junto à Câmara dos Deputados, tornar obrigatório que as empresas disponibilizem a população acesso – tanto presencial, como também online – à suas linhas de produção, para que ocorra um maior entendimento da origem do alimento que está sendo consumido e de seus impactos ambientais, a fim de que ocorra assim não só uma maior fiscalização, como também uma conversa mais aberta sobre o consumo de carne. Pretende-se, dessa forma, tornar mais transparente a indústria alimentícia no Brasil.