O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 02/09/2020
A produção cinematográfica “O Mundo Segundo a Monsanto” relata a história investigativa sobre a multinacional agrícola Monsanto e sua relação para com o meio ambiente e a população consumidora de seus produtos. O longa denuncia a empresa como grande produtora de toxinas responsáveis por doenças diversas e intensos impactos ambientais, práticas legitimadas pelo comércio agrícola. Concomitante a isso, no Brasil, torna-se crescente a preocupação com a oferta e a qualidade alimentícia da sociedade. Nessa perspectiva, são necessários subterfúgios para a análise e a superação imediata do problema
É relevante abordar, primeiramente, de acordo com a Declaração dos Direitos Humanos, de 1948, quanto aos direitos que asseguram a qualidade de vida dos indivíduos e seu bem-estar social, dentre eles, o acesso a comida e a segurança alimentar. Contudo, a realidade mostra-se justamente o oposto e o resultado desse contraste pode ser refletido no atual cenário brasileiro. Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) cerca de 22% da população encontra-se em situação de subnutrição ou fome no país, em decorrência das mazelas governamentais perante o cumprimento do direito inato a pessoa humana.
Faz- se mister, ainda, salientar os demais fatores etiológicos e impulsionadores do emblema, como a fiscalização ineficiente do Estado sobre as corporativas alimentícias que, movidas pelo ideal de enriquecimento, não ofertam segurança qualitativa de seus produtos, transferindo o ideal de progresso como melhoria harmonizada para a ascensão de ascensão própria, sintoma da “Modernidade Líquida, fenômeno estudado pelo sociólogo Zygmunt Bauman e que é caracterizado pelo individualismo e efemeridade das relações humanas nas quais a sociedade encontra-se. Ademais, o desleixo comportamental da população quanto aos cuidados e a busca por uma alimentação saudável e adequada agravam a questão.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério da Cidadania, juntamente com o setor midiático, promova campanhas e palestras com o intuito de alertar e conscientizar a população quanto aos perigos e consequências do descuido alimentar. Ademais, cabe ao Estado a revisão e distribuição de verbas adequadas para a criação de um órgão fiscalizador eficiente sobre os alimentos ofertados a população. Dessa forma, o Brasil pode caminhar rumo ao cumprimento pelo de um direito inato ao indivíduo.