O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 15/09/2020
Jean-Paul Sartre, um dos grandes filósofos da França no século XX, definiu que a essência humana é moldada pelas escolhas do indivíduo. Sob esse viés, as consequências do comportamento alimentar imprimem um perfil da individualidade e coletividade brasileira. Nesse sentido, convém analisar tanto os efeitos da cadeia de produção de alimentos consumidos no Brasil, quanto a responsabilidade moral de cada cidadão sobre os riscos impostos à saúde devido a hábitos alimentares.
Primeiramente, é inegável que a população do Brasil é um mercado valioso para empresas pecuaristas, em vista disso, o brasileiro médio foi convencido de que a carne é essencial para uma refeição completa mesmo com a noção ampla dos danos ambientais. Dessa maneira, de acordo com o documentário premiado “Cowspiracy” 91% do desmatamento da floresta amazônica é motivado pela agropecuária. Assim, o consumidor brasileiro financia uma prática capitalista predatória em um dos seus biomas mais ricos ao permitir a normalização da ingestão excessiva de carne diariamente.
Outrossim, bons hábitos alimentares, juntamente com a prática de exercícios físicos, estão intrinsecamente ligados à qualidade de vida e bem-estar, não obstante, a fuga da responsabilidade individual sobre o autocuidado causa danos não só ao indivíduo, como também à receita tributária do país. Diante disso, o existencialismo, seguido por Sartre, propõe a ética como código social de respeito para uma humanidade condenada a ser livre. Dessa forma, é deplorável que cidadão prejudiquem o sistema público de saúde como uma sobrecarga de doenças evitáveis com uma alimentação saudável.
Faz-se necessário, portanto, que a escola em parceria com o Ministério da Saúde desenvolva um programa de reeducação alimentar, por meio de palestras mensais abertas ao público. Essas palestras podem ser apresentadas por nutricionistas locais e devem disponibilizar informações sobre a construção de uma dieta balanceada, além de abordar as consequências éticas da indústria alimentícia atual. Espera-se, com isso, não apenas proporcionar um comportamento alimentar mais saudável para o cidadão brasileiro, como também ir ao encontro da filosofia existencialista no que tange às escolhas essenciais para uma identidade nacional mais harmônica.