O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 09/09/2020
Durante as Grandes Navegações, era comum que tripulantes das embarcações, após meses com a limitada alimentação provida em alto mar, apresentassem sintomas como hemorragias e apodrecimento das gengivas. Hoje dá-se à condição o nome Escorbuto: doença causada pela deficiência de vitamina C no organismo, que impede a regeneração dos tecidos conjuntivos do corpo humano. A realidade dos navegantes de outrora é análoga à contemporaneidade brasileira, visto que milhares de cidadãos do país ainda vivem com uma alimentação desbalanceada e carente de nutrientes essenciais. Isso se deve sobretudo ao persistente cenário de pobreza de parte da população, que se vê presa a um orçamento limitado que não os permite acesso a um cardápio variado que supra suas necessidades alimentares por completo.
Em primeiro lugar, é fato que a miséria sempre fez parte da história do Brasil, evidenciado por inúmeras obras da literatura nacional que buscam retratar esse quadro, como Vidas Secas, O Cortiço e Capitães da Areia. Depois de cinco séculos estando intimamente ligada à cultura do país, situações de pobreza extrema foram significativamente diminuidas, com a implementação de programas sociais como o Fome Zero no início dos anos 2000. Assim, o Brasil saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) por apresentar pouquíssimos casos de desnutrição.
Entretanto, a subnutrição ainda se faz presente em inúmeras casas do país, visto que a população em geral já não passa fome, mas isso não significa que se alimenta de maneira a suprir suas necessidades nutricionais. Para tal, é preciso incluir no cardápio frutas, vegetais, leguminosas, entre outros gêneros alimentícios que, apesar de saudáveis, têm valor muito mais elevado que os básicos arroz, feijão e trigo. Assim, famílias carentes são as principais portadoras de condições como Cegueira Noturna e o já mencionado Escorbuto, quadros característicos da deficiência de vitaminas.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar a situação. Cabe ao Ministério da Cidadania, por meio de um projeto de lei a ser aprovado pelo Congresso e Senado, a criação do programa Variedade Para Todos, que concede cestas de frutas, verduras, ovos e suplementos alimentares a famílias de baixa renda com deficiências nutricionais comprovadas. Somente assim, garantindo a cada brasileiro uma alimentação digna e completa, será possível deixar no passado as marcas da fome e da miséria.