O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 06/09/2020
“Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”. Esta frase foi ditada por Hipócrates há mais de 2400 anos e cada vez mais a ciência comprova a relação benéfica do hábito alimentar a saúde plena do indivíduo. Entretanto, o consumo de alimentos processados com alto índice de sódio, açúcar, conservantes e gorduras, se tornaram alternativas viáveis para o mundo globalizado e, com isso, emerge a necessidade de conhecer os efeitos negativos de tais substâncias no organismo e conscientizar a população sobre o consumo. Nesse contexto, convém analisarmos a deficiência do modelo de alimentação no Brasil e as principais consequências para nossa sociedade.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a maior parte dos brasileiros não sabe interpretar dados da tabela nutricional dos alimentos. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), apenas 25,1% da população é capaz de compreender totalmente o que dizem os rótulos. A consequência para o consumidor está em saber o que é saudável ou não. Nesse cenário, a indústria alimentícia é a mais beneficiada, não só pelo faturamento das vendas, como também no baixo custo de produção dos produtos ultraprocessados. Esses possuem alto índice de sódio, gordura e açúcar, os três principais elementos responsáveis por causar as chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT): câncer, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Além disso, é importante ressaltar que mesmo causando danos à saúde, os ultraprocessados possuem tributação mais barata que os alimentos in natura. De acordo com a Aliança para Alimentação Adequada e Saudável (organização civil que desenvolve ações e promoções para alimentação saudável), verduras, legumes e carne, por exemplo, possuem cerca de 20% de seu valor taxado por impostos estaduais e federais. Em contraste, massas, sanduíches e salgados ultraprocessados giram em torno dos 10%.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para aumentar o consumo de alimentos saudáveis e diminuir o de ultraprocessados, urge que o Ministério da Saúde crie por meio de verbas governamentais, projeto de lei que vise, incentivo fiscal para alimentos naturais e aumento da tributação federal e estadual para todos os produtos alimentícios (ultraprocessados). Por conseguinte, tal ação estimularia a compra de alimentos saudáveis, incentivaria a adequação das empresas ao novo modelo de mercado e, por consequência, reduziria o número de pessoas com enfermidades causadas pela má alimentação.