O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 15/09/2020

Na pré-história, apesar dos perigos enfrentados para obter alimento, as populações humanas consumiam produtos naturais. Entretanto, o cenário hodierno brasileiro é totalmente oposto, visto que o comportamento alimentar moderno é moldado por indústrias que inserem substâncias químicas nocivas à saúde humana nos gêneros alimentícios visando sua conservação e boa aparência. Logo, é irrefutável a necessidade de subverter tal situação, a qual possui como agravantes a postura capitalista das empresas e a celeridade da vida contemporânea.

Em primeiro lugar, vale salientar que o capitalismo é um dos grandes expoentes desse problema. Conforme Karl Marx, esse modo de produção prioriza o lucro acima de qualquer outra demanda. Sob essa ótica, empresas do ramo alimentício, como a McDonald’s, investem massivamente no marketing de seus produtos, os quais são expostos em propagandas e outdoors com intuito de induzir ao consumo. Desse modo, a sociedade é instigada a adquirir alimentos ultraprocessados em função do apelo psicológico e emocional, os quais passam a compor a dieta de muitos indivíduos e são grandes promotores de patologias devido a presença de produtos químicos que prejudicam a saúde humana em sua composição, como corantes e aromatizantes.

Outrossim, o ritmo acelerado do modo de vida moderno também contribui para esse comportamento alimentar maligno da população. Segundo Yuval Noah Harari, no livro “Sapiens”, a humanidade está inserida em um contexto o qual contraria seus instintos primordiais. À luz dessa perspectiva, nota-se que as cobranças e obrigações do mundo contemporâneo, nunca existentes durante a história humana, comprometem até mesmo o tempo para a realização de refeições adequadas. Com isso, a população tem de buscar os “fast-foods” como meio alternativo para suprir suas necessidades fisiológicas.

Em virtude disso, o Ministério da Saúde deve impedir a comercialização de alimentos com potencial patológico e incentivar o consumo de produtos orgânicos. Isso pode ser feito por meio da elaboração de decretos que proíbam o marketing e a venda de tais produtos e da criação de campanhas em redes sociais que concedam e estimulem o hábito da alimentação saudável. Dessa forma, será possível que a qualidade do comportamento humano brasileiro se assemelhe a dos seus ancestrais pré-históricos.