O comportamento alimentar brasileiro
Enviada em 14/09/2020
Segundo um estudo realizado pela revista médica “The Lancet”, a má dieta é responsável pelo maior número de mortes no mundo. Tal levantamento deixa explícita a problemática atual no que cerne os hábitos alimentares, principalmente no Brasil, onde o comportamento errôneo com relação à alimentação é moldado tanto pela falta de tempo, que obriga o cidadão a procurar opções rápidas e menos nutritivas; quanto pela falta de educação alimentar, refletida principalmente na infância.
A expressão latina “tempus fugit”, criada pelo poeta romano Virgílio para demonstrar a efemeridade dos dias, traduz de forma exemplar o contexto social atual. O cotidiano acelerado e imprevisível movido pelo ritmo globalizador obriga o indivíduo a somente saciar a fome ao invés de objetivar nutrir-se de forma adequada. Essa falta de tempo é uma das principais causas da má alimentação, pois as opções mais procuradas dentro desse contexto são os “fast-foods”, restaurantes de produção massiva de alimentos não saudáveis, cujo objetivo é fomentar o consumo imediatista e despreocupado com a saúde.
Ademais, a ausência de uma educação alimentar eficaz desde a primeira infância é outro risco que envolve a saúde da população. O pouco conhecimento nutricional e a inserção de alimentos industrializados na rotina das crianças contribuem para a formação de indivíduos pouco atentos aos hábitos saudáveis, além de possibilitar o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e obesidade desde cedo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), se não houver uma intervenção nas medidas alimentares, haverá em 2025 aproximadamente 75 milhões de crianças obesas com riscos de doenças autoadquiridas. Portanto, uma maior atenção ao comportamento alimentar dos pequenos cidadãos é imprescindível para que, pensando a longo prazo, haja uma melhoria na qualidade de vida dos brasileiros.
Destarte, é necessário que aconteça uma implementação de programas educacionais voltados para hábitos alimentares nas escolas, sendo organizados pelos Ministérios da Educação e da Saúde juntos; através de conversas mensais com os pais e responsáveis acerca da importância da boa alimentação durante as primeiras fases da vida, sendo realizadas por nutricionistas; juntamente com a implementação de merendas mais saudáveis durante a permanência na instituição e momentos lúdicos com as crianças a fim de abordar a temática e incentivá-los a optar por frutas e verduras ao invés de alimentos industrializados e pouco nutritivos. Para que assim, a saúde da população gradativamente seja melhorada e as gerações futuras tornem-se mais conscientes com relação aos comportamentos à mesa, indo de encontro à pesquisa da revista “The Lancet”.