O comportamento alimentar brasileiro

Enviada em 12/09/2020

" O maior erro que o homem pode cometer é sacrificar sua saúde a qualquer outra vantagem". Tal frase de Arthur Schoppenhauer abre discussão sobre o comportamento alimentar brasileiro. É fato que o capitalismo e a urbanização trouxeram várias mudanças à sociedade, especialmente nos hábitos alimentícios, impactando negativamente a saúde da população. Dito isso, faz-se necessário analisar a problemática intrinsecamente ligada a aspectos econômicos e culturais.

Ressalta-se, em primeiro plano, que o modo de produção vigente baseado no lucro faz com que as pessoas dediquem maior parte do seu tempo no trabalho, restando pouco dele para uma refeição adequada. Com isso, os “fast-foods” são preferíveis em níveis de praticidade e, agora, ainda contam com aplicativos como o “IFood” que agilizam os pedidos. Outrossim, as crianças são incentivadas dede muito cedo pelas mídias a consumir esse tipo de alimento. Isso se observa na divulgação dos lanches, muitas vezes acompanhados de brinquedos para ganhar a atenção dos infantes. Dessarte, é justificável a posição de sexto lugar do Brasil no ranking de consumidores de comida pronta do jornal El País.

Cabe mencionar, em segundo plano, as mazelas proporcionadas por uma nutrição deficitária. A Organização Mundial de Saúde define que o ideal é a ingestão de 400 gramas por dia de legumes, frutas e verduras, porém em uma de suas pesquisas ela constatou que somente 8% dos jovens consomem essa quantidade. Dessa forma, abrem-se portas para o desenvolvimento de doenças como Diabetes, Aterosclerose, Hipertensão e Obesidade. Evidencia-se, então, que uma dieta equilibrada deve ser iniciada na infância para a redução das incidências.

Infere-se, portanto, que o comportamento alimentar brasileiro possui íntima relação com fatores econômicos e culturais. Desse modo, é imperiosa uma ação do Estado, em conjunto com o Ministério da Saúde, por meio da adição de uma matéria sobre educação nutricional à grade curricular do Ensino Fundamental, a fim de garantir uma população salutar. Logo, a preferência pelo “fast-food” reduzirá e o homem deixará de sacrificar sua saúde a qualquer outra vantagem.